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Em 20 anos, seu chefe será capaz de espionar todos os seus movimentos no escritório

Além de câmeras de vigilância, empresas investem em softwares capazes de controlar até mesmo profissionais que trabalham remotamente

14/02/2020 06h57
Por: Leonardo Brum
Fonte: Época Negócios
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Algumas empresas usam câmeras e sensores infravermelhos para detectar quantas pessoas estão trabalhando em uma parte específica do escritório e o quanto estão se movendo (Foto: Getty Images)
Algumas empresas usam câmeras e sensores infravermelhos para detectar quantas pessoas estão trabalhando em uma parte específica do escritório e o quanto estão se movendo (Foto: Getty Images)

Estudos apontam que, nos próximos anos, a automação e a inteligência artificial (IA) substituirão completamente algumas das profissões que conhecemos hoje. Mas mesmo quem continuar empregado poderá ser controlado por robôs. Em 2040, pode ser comum os algoritmos supervisionarem o seu trabalho com a justificativa de otimizar a sua produtividade.

Segundo uma reportagem publicada no site da revista Fast Company, essa já é a realidade para muitos trabalhadores. "Os empregadores têm um apetite insaciável por informações sobre funcionários, relevantes ou não", afirma Lew Maltby, chefe do National Workrights Institute, entidade americana que cuida da proteção legal dos direitos humanos no local de trabalho. 

Algoritmos da classe trabalhadora
Muitas empresas já fabricam ou implantam softwares de monitoramento, com a justificativa que de que a tecnologia poderá ajudar os funcionários a entender como eles usam seu próprio tempo e sugerir métodos eficientes. A vigilância está entrando em profissões de trabalho manual como em armazéns, caminhões e serviços de limpeza.

Na gigantes de tecnologia, esses sistemas são ainda mais avançados. Na Amazon, dispositivos portáteis usados pelos funcionários em centros de distribuição para digitalizar pacotes também permitem à empresa rastrear a produtividade do trabalhador. Existem metas de rapidez no serviço, periodicamente revisadas para cima, afirma a reportagem. 

O monitoramento e a automação também estão chegando ao setor de caminhões. As dashcams, câmeras instaladas no carro para filmar o trânsito, são usadas por algumas empresas de caminhões para checar se os caminhoneiros estão atentos. Outras empresas estão experimentando sensores para medir a frequência cardíaca e a transpiração do motorista.

Big data no escritório
O monitoramento, feito em nome da otimização, cresce também nos escritórios. A Crossover, empresa sediada no Texas, Estados Unidos, desenvolveu o Worksmart, um software para controlar os profissionais que trabalham remotamente.

Ele monitora a atividade do teclado e o uso de aplicativos, tirando capturas de tela periódicas e até fotos de trabalhadores na webcam para criar o que a empresa chama de “cartão de ponto digital” a cada dez minutos. “O objetivo é garantir que as pessoas sejam pagas por tempo produtivo”, diz Andy Tryba, fundador e CEO da Crossover à Fast Company.

As máquinas vencerão?
A preocupação em relação à essa vigilância é crescente entre especialistas. “Acho que em 20 anos não haverá regulamentação da vigilância no local de trabalho”, afirma Gabrielle Rejous, do Centro de Privacidade e Tecnologia da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos. “Os defensores dos direitos dos trabalhadores estão pedindo mais proteção.”

Nos Estados Unidos, as leis de privacidade do consumidor podem servir de inspiração para a proteção da privacidade do trabalhador. Uma lei de privacidade do consumidor da Califórnia dá aos residentes o direito de saber e examinar quais informações foram coletadas sobre eles pelas empresas com as quais fazem negócios. As empresas, por sua vez, são obrigadas a excluir as informações ou deixar de compartilhá-las com outras empresas, se o consumidor solicitar.

 

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