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Startup que usa celular para unir pais e filhos conquista fundador do Waze

O Brasil é um dos maiores mercados do Dynamo, startup criada pelos israelenses Nimrod Bar-Levin e Orr Kowarsky. 40 mil famílias instalaram o app mundialmente

16/03/2020 06h26
Por: Leonardo Brum
Fonte: Pequenas Empresas Grandes Negócios
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Uma ideia criada no aparentemente longínquo país de Israel está crescendo por aqui. Poderia ser a história do aplicativo de navegação Waze, mas também é a história do Dynamo.

Criado pelos empreendedores israelenses Nimrod Bar-Levin e Orr Kowarsky, o Dynamo busca conectar pais e filhos por meio dos smartphones. O negócio atraiu o interesse de um dos fundadores do Waze, Uri Levine. Por meio do fundo de investimentos Founders Kitchen, do qual é gestor, ele participou de uma rodada semente na startup. O Dynamo já captou US$ 1,7 milhão em investimentos.

O Dynamo concentra 40 mil famílias, 10 mil delas brasileiras. A startup espera chegar a 100 mil famílias até o final deste ano. Seu motor de tração será a sensação criada nos pais de que estão criando seus filhos para o sucesso.

Ideia de negócio: pais, filhos e smartphones
Nimrod Bar-Levin e Orr Kowarsky são amigos desde o colegial. O Dynamo é a terceira startup da dupla, que já havia criado outros aplicativos para celular. Além de apaixonados por tecnologia, Bar-Levin e Kowarsky também são pais. A ideia de negócio veio quando os empreendedores perceberam como crianças estão usando celulares inteligentes cada vez mais – e como seus pais odeiam o hábito.

Pais querem que suas crianças tenham sucesso – o que exatamente o termo significa varia de criação para criação. Os empreendedores traduziram esse desejo em três objetivos menores: os filhos devem conhecem o mundo; os pais devem conhecer seus filhos; e os dois precisam conversar mais e de forma mais saudável.

Para muitos adultos, o uso cada vez maior do smartphone frustra essas metas. As crianças perderiam horas das suas vidas na frente de uma tela, sem falar com os próprios parentes e sem aprender conteúdos de valor. Mas os israelenses acreditam que a maneira de cumprir os desejos dos pais está justamente no uso do celular inteligente.

“Criamos uma solução que usa o smartphone para agregar tais ações na relação entre pais e suas crianças”, afirma Bar-Levin, também pai de três filhos. Lançado há um ano, o Dynamo é um aplicativo baixado tanto pelos pais quanto pelos filhos, geralmente com idade entre 7 e 12 anos.

Para desbloquear o celular, as crianças devem responder a uma pergunta de estado emocional ou de conhecimentos gerais. Os pais podem escolher o tema das questões, ajudando a identificar dificuldades no aprendizado. Também verificam o humor dos filhos, abrindo uma oportunidade de conversas sobre problemas pelos quais as crianças podem estar passando. O Dynamo também tem um serviço de mensagens que coloca a conversa com os pais como uma prioridade.

Segundo a startup, as crianças brasileiras usam seus celulares inteligentes principalmente às 19h. Os temas das questões mais escolhidos pelos pais são matemática (multiplicação) e inglês (vocabulário, cores e números).

Em relação ao humor, as crianças brasileiras indicam estar felizes 63% das vezes em que são perguntados pelo Dynamo. A porcentagem perde para África do Sul e França, mas está acima da vista em países como Israel, Estados Unidos, Alemanha e Canadá.

O Dynamo está disponível para download no mundo todo, mas principalmente presente nos países Brasil, Estados Unidos, Itália, Israel, Polônia e Portugal. “Não sabíamos que o mercado brasileiro seria bom para nossa expansão. Descobrimos por testes que há um mercado grande para aplicativos e uma similaridade de cultura que não vimos na Índia ou na Indonésia, por exemplo”, diz Bar-Levin. O Dynamo chegou ao país há seis meses. “Os pais dão celulares para as crianças e buscam como transformá-los em algo positivo, no lugar de proibir os aparelhos. Tivemos uma aceitação enorme do Dynamo no Brasil.”

O aplicativo tem cerca de 40 mil famílias, um quarto delas no Brasil. “Milhares” de pais e crianças estão ativos diariamente no app. O Dynamo ainda estuda formas de monetização, como o acesso a análises mais aprofundadas para os pais. Não há anúncios no aplicativo. Em 2019, o app teve mais de 10 milhões de interações no mundo todo.

Para 2020, o Dynamo estuda acrescentar mais formas de relacionamento entre pais e filhos pelo smartphone. Por exemplo, criar competições de conhecimento dentro da própria família ou com outras famílias.

A startup israelense planeja chegar a 100 mil famílias até o final deste ano. “Queremos nos tornar o padrão quando os pais compram um celular inteligente aos filhos. O Dynamo deve ser como um sistema operacional para smartphones usados pelas crianças. Se continuarmos fazendo os pais sentirem que criaram filhos de sucesso, a tração será uma consequência”, afirma Bar-Levin.

Visão de Uri Levine, fundador do Waze
Uri Levine foi um dos fundadores do Waze, vendido por US$ 1,3 bilhão ao Google em 2013. Com mais de 30 anos no mercado de tecnologia, metade deles em startups, Levine hoje investe em outros negócios escaláveis, inovadores e tecnológicos por meio do fundo Founders Kitchen. Mais de suas investidas atuam no Brasil, como Moovit e SeeTree.

Este é o primeiro investimento de Levine em uma startup de educação. “Olhamos para um grande problema e para o fundador correto na execução de uma ideia que o solucione”, diz o fundador do Waze. “Costumo estar envolvido desde antes de a empresa ser criada, aumentando as chances de sucesso.” No caso da Dynamo, as conversas começaram um ano antes da fundação.

Para Levine, um grande diferencial da startup está em criar uma solução que não vai pelo caminho fácil de restringir o uso dos celulares inteligentes. “Essa atitude só criaria frustração na criança. Devemos pensar em como o smartphone pode ser também um ponto de integração com os pais e interações positivas e educacionais.”

O problema também existe no mercado brasileiro, conhecida por seu grande volume de usuários conectados. Por isso, o fundador do Waze acredita que o Dynamo pode alcançar uma grande penetração entre crianças brasileiras e repetir o sucesso que o Waze teve com motoristas e que o Moovit teve com usuários do transporte público.