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Petróleo entra em território de US$ 20 com alerta de maior sobreoferta da história

Um sério excesso de oferta está aparecendo no petróleo, à medida que as restrições no transporte aéreo, rodoviário e marítimo se cruzam com o fim dos cortes de produção em tempo oportuno da Arábia Saudita.

17/03/2020 07h17
Por: Leonardo Brum
Fonte: Investing
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Os preços do petróleo tombaram novamente na segunda-feira (16), com o índice de referência global Brent despencando 11%, enquanto os temores de recessão causados pela crise de coronavírus desceu nos mercados e a empresa de consultoria IHS Markit alertou para uma inundação de 1,3 bilhão de barris de petróleo ao longo dos próximos seis meses, a maior até hoje.

O petróleo dos EUA, WTI, caiu abaixo do nível chave de US$ 30 por barril, enquanto o Brent sofreu para se manter acima desse nível, tendo caído mais cedo. Às 16h25, o WTI registrava forte queda de 8,22% a US$ 29,45, enquanto o Brent despencava 11,02% a US$ 30,09.

Em Wall Street, o Dow, o S&P 500 e o Nasdaq estavam todos em queda de cerca de 9%, ignorando os cortes emergenciais das taxas de juros do Fed para perto de zero e as promessas do banco central de comprar US$ 700 bilhões em ativos para apoiar os mercados.

A IHS Markit estimou que a sobreoferta de petróleo poderia ir de 800 milhões a 1,3 bilhão de barris nos primeiros seis meses de 2020. Até então, o maior excesso de oferta global em seis meses desde 2000 foi entre o final de 2015 e o início de 2016, quando foi acumulado 360 milhões de barris, disse a empresa.

Um sério excesso de oferta está aparecendo no petróleo, à medida que as restrições no transporte aéreo, rodoviário e marítimo se cruzam com o fim dos cortes de produção em tempo oportuno da Arábia Saudita.

“Houve uma queda estonteante na demanda global de petróleo e um giro dramático na política de produção de petróleo da Arábia Saudita. Se essa situação persistir em meio a uma recessão, tudo aponta para a possível construção da mais extrema sobreoferta global de petróleo já registrada”, disse Jim Burkhard, vice-presidente e diretor de mercados de petróleo da IHS Markit.

A produção de petróleo dos EUA, estimada em altas recordes de mais de 13 milhões barris por dia na semana passada, poderia cair entre 2 milhões e 4 milhões barris por dia nos próximos 18 meses pela combinação da queda econômica causada pela crise de coronavírus e do excesso de produção pela Arábia Saudita, acrescentou a consultoria.

“O maior impacto de 2020-21 em volumes de produção será nos Estados Unidos, graças à rápida reatividade dos produtores de petróleo dos EUA e às altas taxas de declínio dos poços de petróleo”, disse.

Os preços do petróleo conseguiram se manter em alta na sexta-feira (13), apesar de terem fechado a semana em queda de 25% após o presidente Donald Trump dizer que sua administração disse que irá completar a Reserva Estratégica de Petróleo dos EUA, no que pareceu ser um benefício para os produtores de shale oil no país.

Porém, na segunda-feira (16), o impacto do anúncio enfraqueceu após estimativas de que a administração poderia comprar um máximo de apenas 220 mil barris por dia em média ao longo do ano, enquanto a perda total de demanda atual é muitas vezes maior.

Na semana passada, a Rystad Energy, outra consultoria, previu que o tráfico aéreo internacional desabe 16% ou mais em 2020, resultando em uma queda de cerca de 780 mil barris por dia em demanda de combustível para aviões.

Companhias aéreas como a American Airlines (NASDAQ:AAL) cortaram até 75% de sua capacidade internacional após Trump anunciar uma restrição para viajantes europeus aos EUA, enquanto membros da União Europeia tomaram medidas individuais para garantir a segurança de suas fronteiras.