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Commodities

Indústria de soja pede aumento da mistura de biodiesel no próximo leilão

"Ao subir para 14%, a demanda vai ficar muito próxima de 1 bilhão de litros", comentou. "Dada a ociosidade que está se apresentando, é possível fazer 14% sem empecilho."

12/05/2020 08h29
Por: Leonardo Brum
Fonte: Reuters
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© Reuters. Trabalhador com amostra de biodiesel em Iraquara (BA)
© Reuters. Trabalhador com amostra de biodiesel em Iraquara (BA)

 

A indústria de soja, que responde pela maior parte da matéria-prima utilizada na produção de biodiesel no Brasil, está pleiteando que, diante da queda no consumo pelas medidas contra o coronavírus, a mistura do combustível renovável no fóssil seja elevada de 12% para 14% para o produto comercializado no leilão bimestral de junho.

Dessa forma, argumenta a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), o aumento da mistura do biodiesel no diesel no Brasil poderia permitir que o setor mantivesse a produção mesmo com a queda na demanda por combustíveis em função da pandemia de Codiv-19, disse a entidade nesta segunda-feira.

A associação sugeriu ainda que, enquanto o consumo seguir sendo afetado pelas medidas restritivas ao tráfego de veículos, que a mistura de biodiesel seja definida a cada leilão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) --o óleo de soja representa mais de 70% da matéria-prima do biodiesel.

"Estamos verificando uma redução da demanda por diesel na bomba e, consequentemente, a demanda por biodiesel cai também. Em um quadro em que o Brasil continua importando muito diesel... É um quadro que permite a antecipação da mistura obrigatória", disse o economista-chefe da Abiove, Daniel Amaral, em videoconferência, lembrando que os testes já permitem adições superiores aos 12% atuais.

Ele disse que as vendas a cada leilão giram em torno de 1 bilhão de litros com uma mistura de 12%, volume que poderia ser mantido com uma mistura de 14% em uma conjuntura de menor consumo, o que evitaria redução na produção do setor.

"Ao subir para 14%, a demanda vai ficar muito próxima de 1 bilhão de litros", comentou. "Dada a ociosidade que está se apresentando, é possível fazer 14% sem empecilho."

O economista avalia que o governo olhará com bons olhos o pleito do setor para o próximo leilão, previsto para o início de junho.

Segundo a Abiove, a proposta de aumento da mistura no diesel poderia ainda levar à redução das importações do combustível fóssil pelo Brasil, além de permitir uma diminuição de emissões de gases de efeito estufa e do lançamento de materiais particulados, monóxido de carbono e hidrocarbonetos na atmosfera.

Segundo dados da ANP, a importação de diesel no primeiro trimestre de 2020 cresceu 39,8%, após desembarques de mais de 900 milhões de litros em março.

O plano nacional para o biocombustível prevê a ampliação da mistura obrigatória ao diesel dos atuais 12% para 15% até 2023 e, em seguida, o setor trabalha com a meta de chegar aos 20% até 2028.

SELO DE QUALIDADE

Com a expectativa de uma demanda crescente nos próximos anos, a Abiove desenvolveu um processo de homologação, neste momento aplicável apenas às suas associadas, para conferir um selo de qualidade ao biodiesel.

Batizado Bio+, o selo atesta que o biodiesel produzido pelas empresas certificadas já está em conformidade com as especificações técnicas das fases futuras do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), do Ministério do Meio Ambiente, no segmento de veículos leves e pesados do ciclo diesel.

Ou seja, atesta que o produto já cumpre na integralidade a Resolução nº 45/2014 da ANP que especifica todas as características que o biodiesel deve atender, e adicionalmente, inclui a redução dos contaminantes Na+K e Ca+Mg para 3 mg/kg, além de fósforo para 6 mg/kg.

"Lançamos um selo que garante que as nossas associadas estão entregando ao mercado um biodiesel com a especificação mais rigorosa do Brasil", disse o presidente da Abiove, André Nassar.

(Por Roberto Samora)