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Com tensão em Brasília, dólar crava novo recorde e fica a 2,3% de R$ 6

A moeda vinha em rota ascendente desde o fim da manhã, embora ainda em queda, e ganhou tração de vez depois das 14h

13/05/2020 06h41
Por: Leonardo Brum
Fonte: Forbes
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A moeda vinha em rota ascendente desde o fim da manhã, embora ainda em queda, e ganhou tração de vez depois das 14h
A moeda vinha em rota ascendente desde o fim da manhã, embora ainda em queda, e ganhou tração de vez depois das 14h

 

O dólar cravou novo recorde histórico de fechamento hoje (12), abandonando queda de mais cedo e tomando fôlego na parte da tarde, embalado pelo recrudescimento das incertezas políticas locais em meio à piora nos mercados externos.

A moeda vinha em rota ascendente desde o fim da manhã, embora ainda em queda, e ganhou tração de vez depois das 14h, passando a subir no dia.

A virada ocorreu conforme o mercado reagiu a notícias sobre o conteúdo de vídeo de reunião ministerial durante a qual o presidente Jair Bolsonaro teria dito que, se não pudesse trocar o superintendente da Polícia Federal no Rio, trocaria o diretor-geral da corporação e o próprio ministro da Justiça.

Ao pedir demissão do governo no fim de abril, o ex-ministro da Justiça Sergio Moro acusou Bolsonaro de ter intenção de interferir em inquéritos do Supremo Tribunal Federal (STF) e obter acesso a investigações e relatórios de inteligência da Polícia Federal, por meio de interferência política na instituição.

As revelações sobre o vídeo da reunião ministerial vieram no dia em que pesquisa do instituto MDA para a Confederação Nacional dos Transportes (CNT) mostrou um salto na desaprovação ao desempenho pessoal do presidente e na avaliação negativa do governo, evidência do desgaste de Bolsonaro junto à opinião pública.

Esse conjunto de informações negativas ao governo –que dá sequência aos persistentes ruídos recentes– afetou todos os mercados domésticos. Os DIs longos dispararam quase 60 pontos-base entre a mínima e a máxima da sessão. E o principal índice das ações brasileiras terminou nas mínimas do dia, em queda de 1,5%, depois de subir 1,6% na máxima do pregão.

“(Isso) está machucando bastante gente. Toda cautela é pouca nesse momento. A incerteza no ambiente doméstico aumentou bastante hoje”, disse um estrategista de uma gestora.

No câmbio, o dólar chegou a cair 1,39%, a R$ 5,7430, pouco antes das 11h, mas se fortaleceu a partir de então até alcançar uma máxima de R$ 5,8868 (+1,07%) perto do fim da sessão no mercado spot.

A moeda fechou em alta de 0,71%, a R$ 5,8657 na venda, novo recorde histórico nominal para um encerramento.

Basta agora alta de 2,29% para o dólar tocar a marca psicológica de R$ 6.

Na B3, o dólar futuro tinha alta de 0,94%, a R$ 5,8800, às 17h27.

O dia conturbado no plano local teve seu efeito intensificado pela piora de humor nos mercados externos ao longo da tarde, quando ressurgiram preocupações com os riscos de abertura prematura da economia. Wall Street acabou fechando em queda, depois de subir mais cedo na sessão, e o dólar se valorizava contra algumas divisas de risco nesta terça. (Com Reuters)

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