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Reservas internacionais e posição cambial dão conforto para BC atuar no câmbio, diz Serra

Pelo conceito liquidez, as reservas cambiais estavam em 361,799 bilhões de dólares no dia 20, segundo dado mais atualizado.

22/07/2020 06h58
Por: Leonardo Brum
Fonte: Reuters
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As reservas internacionais e a posição cambial líquida do Banco Central próximas de máximas históricas em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) dão à autoridade monetária conforto para seguir atuando no mercado de câmbio caso necessário, apontou o diretor de Política Monetária da autarquia, Bruno Serra.

Pelo conceito liquidez, as reservas cambiais estavam em 361,799 bilhões de dólares no dia 20, segundo dado mais atualizado.

Já a posição cambial líquida do BC --que desconta uso das reservas em instrumentos como linhas com recompra, empréstimos em moeda estrangeira e swaps cambiais, entre outros-- estava em 299,964 bilhões de dólares no último dia 10, conforme dado mais recente disponibilizado pelo BC.

A autarquia não faz intervenções líquidas no mercado de câmbio desde o começo do mês, período em que a volatilidade cambial foi alvo de debates no mercado devido ao intenso vaivém nos preços do dólar.

O estoque de swaps cambiais do BC no mercado é de 56,988 bilhões de dólares. A última oferta líquida de swaps cambiais tradicionais --cuja colocação equivale à venda de dólares no mercado futuro-- ocorreu em 19 de maio, com venda de 500 milhões de dólares nesses contratos. Desde então, o BC tem se limitado a fazer operações de rolagem de swaps.

A mais recente liquidação de venda de dólar no mercado à vista aconteceu em 2 de julho, num total de 365 milhões de dólares. O BC liquidou no último dia 2 recompra de 2,550 bilhões de dólares referentes a linhas de dólares.

Sobre a volatilidade do real, Serra citou na apresentação aumento de negociações com minicontratos de dólar futuro. Segundo ele, em outros mercados o crescimento de volume nos minicontratos costuma aumentar liquidez e reduzir spreads de compra e venda.

"No mercado local de câmbio vem ocorrendo elevação coincidente da volatilidade da proporção dos minicontratos no volume total. Não necessariamente há relação de causalidade", disse ele na apresentação.

A volatilidade cambial diminuiu nos últimos pregões, mas segue mais alta quando comparada a níveis vistos em outros mercados emergentes.

Serra disse ainda que o menor diferencial de juros do Brasil em relação a outros mercados "traz desafios para a política cambial" e acrescentou que eventual ajuste futuro no grau de estímulo monetário "será residual".

A Selic --taxa básica de juros do país-- está em 2,25% ao ano. O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC se reúne novamente nos dias 4 e 5 de agosto para reavaliar a política monetária.

Ainda de acordo com o documento divulgado nesta terça, o diretor do BC mencionou que a incerteza em torno do tamanho do hiato do produto, bem como do ritmo de recuperação, segue acima do usual. Serra disse ainda que a "disparidade" entre setores da economia deve ser característica deste ciclo.