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Juros fecham em alta com receios sobre inflação, pressão do câmbio e risco fiscal

Os juros fecharam em alta, mas mais pronunciada nos vértices longos, em meio à pressão do câmbio, das preocupações com a inflação e com o cenário fiscal, em um dia negativo para ativos de risco em geral.

09/09/2020 06h27
Por: Leonardo Brum
Fonte: Reuters
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 Os juros fecharam em alta, mas mais pronunciada nos vértices longos, em meio à pressão do câmbio, das preocupações com a inflação e com o cenário fiscal, em um dia negativo para ativos de risco em geral. As taxas acompanharam de perto o ritmo do dólar pela manhã, mas à tarde, quando a moeda se acomodou abaixo dos R$ 5,35, a curva não seguiu pari passu, com o surgimento das operações já relacionadas ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto na quarta-feira e alguma antecipação ao leilão de prefixados na quinta-feira.

Nesse contexto, o mercado mantém as apostas de elevação da Selic já a partir do Comitê de Política Monetária (Copom) de setembro.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 fechou em 2,83%, de 2,743% no ajuste de sexta-feira, e a do DI para janeiro de 2023 subiu de 3,903% para 4,04%. O DI para janeiro de 2025 encerrou com taxa de 5,84%, de 5,694%, e a do DI para janeiro de 2027 avançou de 6,643% para 6,79%.

Nas mesas de renda fixa, profissionais afirmam que a curva está pressionada por um conjunto de fatores, o que recomenda ficar comprado em NTN-B e também no DI. "Não é só o dólar. O mercado de juros tem uma poluição enorme e 'n' coisas pesando, como a proposta do Orçamento sem o Renda Brasil, a questão do veto à desoneração da folha, a retomada de discussão da tributária", enumerou o sócio-gestor da LAIC-HFM, Vitor Carvalho.

O quadro fiscal incerto, que vem afetando a curva uns dias mais outros menos, se mantém como preocupação constante do mercado, que agora colocou de vez no radar outro risco importante, o inflacionário. A safra recente de IGPs vem surpreendendo negativamente e não se sabe até quando os IPCs continuarão, de certa forma, blindados do contágio.

"A inflação não dá trégua e a discussão sobre a divergência entre IGP e IPC continua. Tivemos o IGP-DI hoje bem pressionado e o mercado observando as coletas de IPCA na ponta", disse Carvalho.

Na véspera da divulgação do IPCA, o IGP-DI de agosto, que disparou de 2,34% em julho para 3,87%, superando com folga o teto das estimativas (3,30%), reforçou o desconforto. Para o índice de agosto, que sai ma sexta, as estimativas captadas pelo Projeções Broadcast vão de 0,16% a 0,33%, com mediana em 0,25%, que representaria a maior taxa para o mês desde 2016, quando o avançou 0,44%.

Uma das maiores pressões deve vir de Alimentação, justamente em meio ao salto recente nos preços de commodities agrícolas.

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse nesta terça que o governo não fará nenhum tipo de intervenção nos preços da cesta básica brasileira. Desse modo, o governo busca outras alternativas. Nesta quarta-feira, haverá uma reunião da presidência da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) com a equipe econômica justamente para discutir a elevação dos preços de produtos básicos. Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro disse que pediu ao setor "patriotismo" e "sacrifício" nas margens de lucros para reduzir a pressão nos preços.