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Distrito fecha com empresa canadense para criar núcleo de IA

Por cerca de R$ 1 milhão por ano, a ferramenta no-code Kepler promete a funcionalidade da IA sem a necessidade de expertise tecnológica, explica Gustavo Araújo, cofundador da Distrito

11/09/2020 07h12
Por: Leonardo Brum
Fonte: Forbes
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Por cerca de R$ 1 milhão por ano, a ferramenta no-code Kepler promete a funcionalidade da IA sem a necessidade de expertise tecnológica, explica Gustavo Araújo, cofundador da Distrito
Por cerca de R$ 1 milhão por ano, a ferramenta no-code Kepler promete a funcionalidade da IA sem a necessidade de expertise tecnológica, explica Gustavo Araújo, cofundador da Distrito

 

A empresa de inovação aberta Distrito fechou uma parceria com uma companhia canadense de inteligência artificial (IA) e criou um núcleo que propõe eliminar barreiras de acesso à tecnologia em grandes empresas, como expertise para projetos baseados em dados.

A parceria com a Stradigi AI, anunciada com exclusividade para o Forbes Insider, tem como atração principal a ferramenta Kepler, que permite que usuários em organizações de qualquer setor e sem nenhuma formação tecnológica automatizem processos via IA. O objetivo é facilitar a adoção da tecnologia em organizações, que custam a avançar seus processos de digitalização e gerar insights com dados por não terem habilidades técnicas suficientes para tal.

“Com a digitalização acelerada de empresas e o aumento na geração de dados, torna-se impossível para gestores de negócio, em áreas como marketing e finanças, processar essas informações usando alternativas clássicas de business intelligence (BI), e surge a necessidade de usar algoritmos. A Kepler faz justamente isso”, diz Gustavo Araújo, cofundador da Distrito.

O acordo é resultado da busca por novas tecnologias de IA no Brasil e no mundo pela empresa de inovação aberta, que tem a KPMG e a Microsoft entre suas mantenedoras. Com a parceria, em que empresas pagarão cerca de R$ 1 milhão por ano para ter acesso à Kepler, a Distrito espera aumentar seu faturamento em até 15% no próximo ano.

“O investimento [por parte das empresas na Kepler] é uma fração do resultado que a plataforma gera. Dependendo do tipo de aplicação, o retorno no investimento pode ser obtido em cerca de um mês, e gerar muitos milhões de reais anualmente”, diz Araújo, acrescentando que a plataforma requer um desafio relevante de negócio para trazer os resultados prometidos.

Através da Kepler, é possível usar dados para apoiar decisões como redução de custos, mitigar riscos e prever padrões em funções de negócios como vendas, marketing, RH, finanças, operações e logística. A ferramenta baseada em nuvem já é usada por empresas brasileiras como a Reclame Aqui, e está sendo empregada em pilotos conduzidos pela Distrito em um banco brasileiro, para testar o algoritmo de risco da organização.

Outro piloto em andamento, em uma montadora baseada no Brasil, busca analisar padrões de vendas de certos modelos em concessionárias. O sistema também está sendo testado em uma empresa de bens de consumo, para investigar tendências na compra de produtos por região com o objetivo de aprimoramento de campanhas de marketing.

Segundo Araújo, soluções no Brasil ainda não romperam a barreira da necessidade de expertise técnica para o uso da IA acionável – ou seja, tecnologia que gera insights que impactam positivamente o resultado e operações das empresas usuárias, como a habilidade de prever no-shows em companhias do setor hoteleiro ou prever se um cliente está prestes a cancelar um serviço.

“Nenhum player nacional oferece esse tipo de funcionalidade, de forma que possa ser utilizada em qualquer setor: [empresas brasileiras] conseguem montar uma interface de sistemas de IA para pessoas de negócios, mas isso requer uma total customização para aquele caso. A Kepler tem uma interface customizável pelo usuário, ou seja, não é preciso pedir que uma equipe, empresa [de tecnologia] ou startup faça isso”, aponta.

E continua: “A partir do momento que se usa a inteligência artificial com a mesma facilidade em que se abre uma planilha do Excel, gera-se um acesso muito maior a este tipo de tecnologia”.

Segundo Basil Bouraropoulos, cofundador e CEO da Stradigi AI, o software baseado na nuvem se diferencia de outras ofertas de mercado por aplicar a abordagem low-code/no-code – em que pouco ou nenhum desenvolvimento de software se faz necessário. Isso possibilita que usuários de backgrounds não-técnicos aproveitem os benefícios do aprendizado de máquina. “O que faltava era a plataforma certa, e a Kepler fornece essa capacidade”, aponta.

A empresa pretende conduzir ao menos dez pilotos ao longo dos próximos meses, e ampliar a base de usuários da ferramenta. No entanto, será necessário verificar se empresas brasileiras estão prontas para uma adoção massiva da tecnologia: a implementação requer um preparo mínimo das organizações, como a existência de políticas específicas e bases de dados (data lakes) que possam ser alimentadas à plataforma.

“Um dos principais desafios para entrar em qualquer novo mercado é educar as pessoas e demonstrar a funcionalidade da Kepler, juntamente com a capacidade de implantar soluções de IA de maneira rápida e eficiente”, aponta Bouraropoulos. O fundador da empresa canadense ressalta que o Brasil é um mercado atraente para a Stradigi, por conta do crescente interesse local em ferramentas de IA e acrescenta que algumas empresas já sabem exatamente onde querem chegar com estas tecnologias, mas outras precisarão de apoio – e a parceria com a Distrito buscará endereçar necessidades em ambas as pontas deste espectro.