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Lucro da M. Dias Branco sobe 97% no 3º tri para R$265 mi; receita bate recorde

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) subiu 74,4%, para 328 milhões de reais.

09/11/2020 06h42
Por: Leonardo Brum
Fonte: Reuters
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© Reuters. Produção de massas em panificadora de São Paulo (SP)
© Reuters. Produção de massas em panificadora de São Paulo (SP)

 

A companhia de alimentos M. Dias Branco (SA:MDIA3) reportou lucro líquido de 265 milhões de reais no terceiro trimestre, um salto de 97,3% na comparação anual puxado pela receita de 2 bilhões de reais obtida no período, um recorde trimestral, afirmou a empresa nesta sexta-feira em balanço financeiro.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) subiu 74,4%, para 328 milhões de reais.

A empresa, líder nos mercados de biscoitos e massas no Brasil, ainda registrou recorde no volume produzido, de 875 mil toneladas.

"O consumo continuou forte...Mesmo durante a pandemia, a gente lançou produtos, alavancou o que já havia lançado (recentemente) e tivemos uma boa contribuição destes produtos", disse à Reuters o diretor de Relações com Investidores da M. Dias, Fábio Cefaly.

Ele destacou que a receita atingiu 5,5 bilhões de reais no acumulado dos nove primeiros meses do ano, alta de 25,9%, impulsionada dentre outros fatores pela rotina de isolamento social contra o novo coronavírus, que fez com que as pessoas passassem a cozinhar mais em casa, consumindo massas, por exemplo.

As recentes máximas nos preços do arroz também foram mais um gatilho para o consumo de massas no último trimestre.

"Podemos, sim, associar o aumento de consumo de massas em detrimento do arroz, porque são produtos substitutos", avaliou o executivo.

Exportações aquecidas, aumento na demanda interna durante a pandemia e problemas de safra em fornecedores globais impulsionaram as vendas de arroz durante o ano, gerando escassez do cereal nacional e recorde de preços.

Agora, o país está buscando arroz no mercado internacional e, enquanto as importações não pressionam as cotações, parte da demanda doméstica é deslocada para o macarrão.

O bom momento de consumo permitiu que a companhia ampliasse os investimentos em marketing, disse Cefaly, o que contribuiu para a geração de caixa e redução da alavancagem.

A relação entre dívida líquida e Ebitda caiu para 0,2x no terceiro trimestre, abaixo do 0,4x registrado no trimestre imediatamente anterior e do 0,7x obtido um ano antes.

"Liberamos 138 milhões de reais em capital de giro no acumulado de janeiro a setembro", afirmou o diretor. "Estamos fazendo essa travessia (da pandemia) com o balanço muito sólido, totalmente habilitado para seguir investindo", acrescentou.

TRIGO vs CÂMBIO

Cefaly disse que o desafio de curto prazo, além de todas as questões da pandemia, é o câmbio, que continua afetando as margens da companhia.

Segundo ele, somente no terceiro trimestre o cereal aumentou 22% em relação ao mesmo período de 2019, enquanto o preço médio do portfólio de produtos da M. Dias Branco subiu apenas 3%, em igual comparação.

"Ainda não sentimos recuo no preço do trigo com a entrada da safra nacional. A produção mundial é suficiente para atender a demanda, mas alguns fatores estão criando algum tipo de volatilidade. E, no preço do cereal em reais, o principal ofensor é o câmbio", explicou.

Ao comentar fatores que estão influenciando a volatilidade das cotações globais do trigo, o executivo destacou a formação de estoques em alguns países por temores de segunda onda da Covid-19 e casos de seca entre fornecedores, como Argentina e Rússia.

(Por Nayara Figueiredo)