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Diesel

Gigante de motores a diesel planeja futuro com tecnologia de emissão zero

Trem de passageiros Coradia iLint construído pela Alstom usando um sistema de energia de célula de combustível de hidrogênio fornecido pela Cummins

19/11/2020 06h56
Por: Leonardo Brum
Fonte: Forbes
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Trem de passageiros Coradia iLint construído pela Alstom usando um sistema de energia de célula de combustível de hidrogênio fornecido pela Cummins
Trem de passageiros Coradia iLint construído pela Alstom usando um sistema de energia de célula de combustível de hidrogênio fornecido pela Cummins

 

A Cummins é uma das principais fabricantes de motores a diesel para serviços pesados, mas a empresa está se preparando para um futuro de zero emissões com grandes planos para fornecer sistemas de energia elétrica a hidrogênio e eletrolisadores que produzem combustível limpo. Embora seu principal mercado seja o de caminhões, trens e ônibus parecem uma maior oportunidade comercial no curto prazo.

A fabricante de Columbus, no estado de Indiana, que fornece motores a diesel para barcos, picapes pesadas, caminhonetes e ônibus, traçou uma estratégia abrangente em sua apresentação denominada “Dia do Hidrogênio”. O objetivo é ter uma produção inteira a partir de células de combustível, sistemas de energia estacionários, tanques de combustível e eletrolisadores para ajudar as empresas a gerar seu próprio hidrogênio. O presidente e CEO, Tom Linebarger, disse à Forbes que a Cummins está testando grandes plataformas movidas a gás, mas espera que as operadoras de trânsito e as siderúrgicas que precisam reduzir suas emissões de carbono sejam os melhores mercados iniciais.

“Todo mundo sabe que precisamos sair dos combustíveis fósseis. A questão é quando a economia dará certo por causa de regulamentações? Ela dá certo atualmente apenas para áreas subsidiadas”, afirma o presidente. “Trens e ônibus são o foco, pois há um percurso definido. Ou seja, uma estação de abastecimento é instalada a cada extremidade do trajeto e isso é suficiente. Ao invés de várias estações, queremos o uso constante de algumas.”

O foco da Cummins no hidrogênio surge à medida que o investimento em combustível elementar aumenta em toda a indústria de transporte. Carros com células de combustível de hidrogênio com emissão zero de Toyota, Honda, Daimler e Hyundai estão em uso há mais de uma década. No entanto, o aumento dos carros elétricos a bateria patrocinados pela Tesla, de Elon Musk, e um número limitado de postos de combustível de hidrogênio tornaram a tecnologia menos atraente para veículos de passageiros. Mas ainda assim, o peso mais baixo e o tempo de reabastecimento rápido que os sistemas de energia de célula de combustível de hidrogênio oferecem em relação às baterias os tornaram cada vez mais atraentes para veículos pesados. Planos multibilionários estão tomando forma nesse setor, liderados por Toyota, Hyundai, Daimler e a startup Nikola, e a Cummins vê uma grande oportunidade de ser um fornecedor importante.

As células de combustível geram eletricidade sob demanda, tendo apenas água como subproduto e apontadas como uma opção de veículo limpo por décadas, embora altos custos, durabilidade e falta de postos de combustível de hidrogênio tenham limitado seu apelo. Embora Musk tenha criticado duramente o hidrogênio por anos, reclamando de sua ineficiência em relação às baterias, um número crescente de fabricantes vê um potencial significativo para a tecnologia, especialmente à medida que a produção de hidrogênio de fontes renováveis, em vez de gás natural, se torna viável.

Sobre a visão de Musk, “eu diria apenas que aqueles que têm apenas uma resposta, irão defendê-la até o fim”, disse Linebarger. Além disso, tanto para armazenamento de energia em grande escala como para aplicações industriais, haverá um grande aumento no uso nos próximos anos. “O hidrogênio será usado tanto em siderurgia e no refino de petróleo como no transporte. E esse problema não será resolvido com baterias.”

As vendas de equipamento eletrolisador para produzir hidrogênio devem chegar a US$ 400 milhões anuais até 2025, segundo a Cummins.

O cenário político também interfere no desempenho da companhia e ela pode se beneficiar com a eleição de Joe Biden como novo presidente dos Estados Unidos. O democrata prioriza políticas que cortam as emissões de carbono e promove o maior uso de veículos elétricos para ajudar a enfrentar as mudanças climáticas, enquanto Donald Trump focou priorizou energia fóssil e eliminou regras rígidas de economia de combustível. No entanto, a Cummins ainda não teve uma discussão formal com a nova administração sobre a tecnologia do hidrogênio.

Como a empresa detém de sistemas elétricos a diesel e a bateria, bem como o hidrogênio, “nossa ideia é tentar ser o mais honestos possível sobre o que cada uma das tecnologias oferece”, diz Linebarger. “Já fiz contato com o governo Biden e continuamos a defender a ideia.”

Por fim, a Cummins fornecerá motores a hidrogênio para caminhões pesados. O mercado, no entanto, levará mais tempo para se desenvolver, pois é necessária uma redução de custos adicionais para atingir a paridade com os sistemas de energia a diesel, diz Amy Davis, que lidera a nova divisão de energia da empresa.

“É por isso que nos concentramos no mercado de trens onde a força e os custos de combustível representam 50% dos gastos operacionais totais e são muito mais baixos do que o mercado de caminhões pesados, que está acima de 80%”, disse Amy. A empresa fez parceria com o conglomerado industrial europeu Alstom para fornecer um sistema de energia de célula de combustível para o trem de passageiros Coradia iLint que já está operando na Alemanha.

Em relação aos caminhões, Amy aponta que “os trens operam em rotas fixas e exigem menor infraestrutura em termos de reabastecimento de hidrogênio, um fator importante”. Além disso, segundo ela, “há um apoio oferecido aos subsídios públicos e o custo incremental para comprar um trem a hidrogênio é menor do que o custo de transformar as ferrovias. Todas essas questões geram taxas de adoção variadas, com maior adesão de trens e ônibus nos primeiros anos e, a longo prazo, a produção de caminhões pesados.”