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Casa de análises de bitcoin levanta US$ 100 milhões e alcança avaliação de US$ 1 bilhão

Sucesso da Chainalysis no mercado financeiro pode começar uma nova era para os negócios com criptomoedas

24/11/2020 06h54Atualizado há 2 meses
Por: Leonardo Brum
Fonte: Forbes
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Sucesso da Chainalysis no mercado financeiro pode começar uma nova era para os negócios com criptomoedas
Sucesso da Chainalysis no mercado financeiro pode começar uma nova era para os negócios com criptomoedas

 

Um novo unicórnio do bitcoin está prestes a nascer. Depois de dias de rumores circulando pela indústria de criptomoedas, a casa de análise Chainalysis confirmou exclusivamente para a Forbes que espera levantar US$ 100 milhões de capital de risco, alcançando uma avaliação de US$ 1 bilhão já na próxima semana. Liderada pela Addition (empresa de capital de risco liderada por Lee Fixel, vindo da Tiger Global), a rodada de Série C deve ser acompanhada por investidores conhecidos, como Accel, Benchmark e Ribbit.

Embora o CEO e cofundador da Chainalysis, Michael Gronager, tenha se recusado a compartilhar a receita real gerada pela empresa, a Forbes estima que o valor está em torno de US$ 8 milhões em 2018, e Gronager diz que seu faturamento aumentou cerca de 96% no ano passado. Com receita prevista para dobrar no próximo ano e novamente em 2022, o investimento é mais uma evidência de que há mais dinheiro a ser ganho em criptomoeda do que apenas comprando na baixa e vendendo na alta. Além de ajudar o Departamento de Justiça dos EUA a rastrear mais de US$ 1 bilhão em bitcoins e outras criptomoedas apreendidas no início deste mês, a Chainalysis agora conta com 350 clientes no total, incluindo governos estaduais e instituições privadas.

Como o bitcoin atingindo valores recordes, a Chainalysis, e sua filosofia de conformidade por código, está se tornando um símbolo dos obstáculos que os investidores têm de superar para obter exposição ao ativo alternativo e a oportunidade que esses mesmos investidores possuem. “Nós realmente mostramos que é possível construir uma empresa de software como serviço business to business de classe mundial servindo dados no espaço criptográfico”, diz Gronager, 50 anos. “E realmente ter controle sobre a parte de dados da criptografia.”

A Série C, que foi assinada por todas as contrapartes e aguarda a papelada final, seguirá uma Série B iniciada há apenas quatro meses, elevando o investimento total para US$ 166 milhões. Como parte do investimento, a empresa que atualmente emprega 200 pessoas planeja quase dobrar seu quadro de funcionários no próximo ano, incluindo contratações de política internacional, vendas e marketing e pesquisa e desenvolvimento. Em julho passado, a Forbes incluiu a Chainalysis como a primeira empresa de criptomoeda na lista Next Billion Dollar Startups, de apostas em unicórnios. O cofundador Jonathan Levin é membro da lista Forbes 30 Under 30 da Europa.

Atualmente, a empresa possui escritórios em Nova York, Singapura e Tóquio e aguarda o retorno das viagens aéreas para expandir sua presença internacionalmente e na capital norte-americana, onde a demanda regulatória está chegando ao pico. Na verdade, a demanda atingiu uma escala tão alta que, em julho, o ex-chefe de sanções do presidente dos EUA, Donald Trump, Sigal Mandelker, juntou-se ao conselho consultivo da Chainalysis como parte de um investimento de Série B.

Porém, e talvez o mais importante, a empresa diz que levantou muito mais dinheiro do que na rodada de Série B porque espera ter a oportunidade de comprar outra empresa. “Achamos que o momento, o mercado e a maturidade do espaço cripto oferecerão alguma consolidação, onde pode haver algum crescimento inorgânico que pode estar disponível”, disse Gronager.

Duzentos e cinquenta dos clientes da Chainalysis estão no setor privado, incluindo empresas como a gigante de pagamentos Square, com outros cem vindos de 30 jurisdições do setor público, incluindo o U.S. Internal Revenue Service. O total de clientes da empresa aumentou 65% no ano passado. Enquanto isso, a maioria das startups que estão crescendo a uma taxa de 40% ou mais estão longe de ser lucrativas. Gronager diz que o custo de operações atual da Chainalysis “basicamente não existe” e que a empresa está no caminho para ser lucrativa em breve. “Temos custos e despesas extremamente baixos e uma eficiência muito alta na empresa”, afirma Gronager. “Portanto, estamos quase chegando ao ponto de lucratividade.”

Claro, o simples fato de que a Chainalysis, uma empresa de segurança que ajuda a identificar fraudes, lavagem de dinheiro e outras práticas ilegais e ilícitas de usuários de criptomoedas, está entre os primeiros unicórnios da indústria, é mais uma evidência de por que tantos investidores institucionais permanecem relutantes em entrar nesse mercado. Apesar de várias empresas de alto perfil, incluindo JP Morgan e Citibank, recentemente adotarem um tom positivo em relação ao bitcoin, outras, como o financiador de hedge Ray Dalio, permanecem céticas. O principal investidor, Lee Fixel, descreveu a Chainalysis como “a plataforma de regulamentação financeira para o futuro dos ativos digitais”, em um comunicado.

Na última sexta-feira (20), a Chainalysis publicou um relatório chamando 2020 de “o ano de adoção institucional do bitcoin”, mencionando especificamente o gerente de fundos de hedge Paul Tudor Jones e a Square como exemplos. No início da semana passada, a consultora financeira DeVere Group disse que 73% de seus cerca de 700 clientes milionários que responderam a uma pesquisa de criptomoeda disseram que já investiram ou vão investir nela até 2023. Isso é um aumento de 68% com relação ao ano passado. “À medida que mais empresas convencionais, como Paypal, começam a oferecer serviços de criptografia”, disse o sócio da Accel e investidor da Chainalysis, Philippe Botteri, em um comunicado, “esperamos uma aceleração ainda maior à frente.”

Cada vez mais, empresas de segurança como Chainalysis, Elliptic e a novata Clain, com sede na Rússia, estão fazendo mais do que apenas ajudar a identificar crimes após o fato, mas ajudando a evitá-los. Em agosto de 2019, a Chainalysis lançou o KYT (Know Your Transaction) para simplificar a análise de blockchain e, em julho de 2020, lançou o Market Intel para analisar trocas de criptomoedas. Coletivamente, esses dois serviços compõem o que Gronager chama de “conformidade por código”, ajudando a desencorajar fraudes e a estabelecer a base para uma adoção mais institucionalizada. “A maneira como você faz as coisas escalarem hoje em um departamento de conformidade não é contratando dez pessoas”, diz ele. “É chamando um desenvolvedor.”