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Golpe

Protestos se espalham por Mianmar contra golpe e em apoio à líder eleita Suu Kyi

"Os protestos anti-golpe mostram todos os sinais de ganhar força.

08/02/2021 06h41
Por: Leonardo Brum
Fonte: Reuters
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"Os protestos anti-golpe mostram todos os sinais de ganhar força. Por um lado, dada a história, podemos muito bem esperar que uma reação virá", escreveu o autor e historiador Thant Myint-U no Twitter.

"Por outro lado, a sociedade de Mianmar hoje é totalmente diferente de 1988 e até de 2007. Tudo é possível."

Sem internet e sem informações oficiais, havia diversos rumores sobre o destino de Suu Kyi e seu gabinete. Um boato de que ela havia sido libertada atraiu multidões para comemorar no sábado, mas foi rapidamente desmentido por seu advogado.

Suu Kyi, 75, enfrenta acusações de importação ilegal de seis walkie-talkies e está detida para investigação até 15 de fevereiro. Seu advogado disse que não foi permitido vê-la.

Ela ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1991 por fazer campanha pela democracia e passou quase 15 anos em prisão domiciliar durante décadas de luta para acabar com quase meio século de governo do exército antes do início de uma transição conturbada para a democracia em 2011.

O comandante do Exército Min Aung Hlaing deu o golpe alegando fraude nas eleições de 8 de novembro, nas quais o partido de Suu Kyi conquistou uma vitória esmagadora. A comissão eleitoral rejeitou acusações de irregularidades.

Mais de 160 pessoas foram presas desde que os militares tomaram o poder, disse Thomas Andrews, relator especial das Nações Unidas para Mianmar.

"Os generais agora estão tentando paralisar o movimento de resistência dos cidadãos - e manter o mundo exterior no escuro - cortando praticamente todo o acesso à internet", disse Andrews em um comunicado neste domingo.

"Devemos todos estar com o povo de Mianmar em sua hora de perigo e necessidade. Eles não merecem nada menos."

(Reportagem da equipe da Reuters; texto de Poppy McPherson)