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Arezzo deve crescer, mas potencial já está precificado, diz Goldman

Com a Reserva, a Arezzo estima alcançar um market share de 8,8% no segmento de vestuário e acessórios de moda (considerando as classes A/B), e vê potencial para chegar até cerca de 25% no longo prazo.

18/02/2021 06h41
Por: Leonardo Brum
Fonte: Investing
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A Arezzo & Co tem muito potencial de crescimento pela frente, mas a maior parte das mudanças positivas na trajetória da ação já estão precificadas, na visão do Goldman Sachs. Assim, o banco eleva o preço-alvo do papel para R$ 70, de R$ 56, mas mantém recomendação Neutra.

A ação fechou o pregão desta quarta-feira (17) em queda de 0,13%, a R$ 75,90, na contramão do Ibovespa, que ganhava 0,78%, aos 120.356 pontos. Ao longo do dia, a máxima registrada foi de R$ 76,80 e a mínima, de R$ 75,14, com R$ 584,52 mil em volume negociado. 

As mudanças da percepção do Goldman sobre a ação vêm após a aquisição da Reserva, em outubro de 2020, e o acordo para se tornar distribuidora exclusiva da Vans no Brasil, em 2019, “passos decisivos para executar sua ambição de se tornar uma casa de marcas”, segundo o banco. 

As movimentações recentes fizeram com que o mercado endereçável da companhia tenha aumentado em cerca de cinco vezes, para aproximadamente R$ 40 bilhões, na visão do Goldman Sachs, com o aprofundamento da atuação no segmento de calçados unissex e masculinos, com a Vans, e a entrada no mercado de vestuários, por meio da Reserva. 

Com a Reserva, a Arezzo estima alcançar um market share de 8,8% no segmento de vestuário e acessórios de moda (considerando as classes A/B), e vê potencial para chegar até cerca de 25% no longo prazo. 

As principais fontes de sinergia, na visão do Goldman, devem ser a aplicação do modelo de franquias para a Reserva; a expansão da marca de calçados Reserva Go com sua inclusão na cadeia de produção da Arezzo; e sinergias gerais de custo. O banco menciona ainda oportunidades de venda cruzada entre as marcas e os canais de distribuição.

Além disso, ainda que o banco acredite que o foco da gestão, no curto prazo, será integrar a Reserva, explorar ainda mais o potencial da Vans e reduzir a alavancagem, mais aquisições podem estar próximas. “Essa mudança estratégica faz sentido, na nossa opinião (...). A estratégia adiciona novas avenidas de crescimento, permite que a ARZZ diversifique categorias e exposição de marcas para alavancar sua força em distribuição em diferentes canais e em gestão da cadeia de produção”, resume o Goldman.

Essas aquisições, na visão do banco, seriam possíveis até mesmo no curto prazo, considerando a posição de dívida da companhia e as potenciais oportunidades criadas pela pandemia.

Considerando tudo isso, além de ter elevado o preço-alvo, o Goldman Sachs também revisou suas estimativas para 2021-22 em uma média de +5% para receitas, +10% para Ebitda e +16% para lucro por ação.

Os principais riscos de downside para a tese de investimentos do banco são dificuldades em alavancar as operações nos EUA; uma potencial desaceleração em vendas; pressões nas margens relacionadas a investimentos no mercado dos EUA, em logística, e-commerce e novas marcas; canibalização de marcas; e dificuldades em alavancar a parceria com a Vans no Brasil.

Os maiores riscos de upside, por outro lado, são o retorno mais rápido do que o esperado das iniciativas de crescimento e um aumento nas vendas.