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Carreira

“Quero empoderar mulheres para que sejam suas melhores versões”, afirma Sandra Chayo

Em conversa com Donata Meirelles, a sócia e diretora do Grupo Hope fala sobre a mudança de comportamento no uso de lingerie e os planos para 2021

18/02/2021 07h01
Por: Leonardo Brum
Fonte: Forbes
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Em conversa com Donata Meirelles, a sócia e diretora do Grupo Hope fala sobre a mudança de comportamento no uso de lingerie e os planos para 2021
Em conversa com Donata Meirelles, a sócia e diretora do Grupo Hope fala sobre a mudança de comportamento no uso de lingerie e os planos para 2021

 

A trajetória de sucesso de Sandra Chayo – sócia e diretora de Marketing e Estilo do Grupo Hope – tem tudo a ver com uma peça do vestuário feminimo: o sutiã. Ícone do feminismo nos anos 1960 e elevado a símbolo de empoderamento a partir dos 1980 – graças à dobradinha Madonna-Jean Paul Gaultier – o sutiã como protagonista do look chamou a atenção do empresário Nissim Hara, fundador da marca de lingerie Hope – há 54 anos – e pai de Sandra, em uma de suas viagens a Paris.

“Ele me disse que tinha visto mulheres exibindo os sutiãs não mais como roupa íntima”, lembra Sandra. E aproveitou para mandar um recado/missão para a filha: “A lingerie vai virar moda de verdade. Eu não sei fazer isso, mas você sabe”.

Era a virada do milênio e Sandra acabara de ingressar na empresa da família. Estudante de Arquitetura, ela ainda não entendia muito bem onde se encaixava naquele negócio onde praticamente havia nascido e crescido: “Eu sabia apenas que queria trabalhar com design, moda e estilo”, conta.

O desafio e o incentivo paterno provocaram a faísca que iniciou a carreira de Sandra no mercado. A partir de 2005 ela participou ativamente do processo de reposicionamento da marca, que envolveu estilo, comunicação e tecnologia. Em 2006, a Hope criou um dos primeiros sistemas de e-commerce no País.

Hoje Sandra cuida das três marcas do Grupo Hope: a Hope – de lingeries – a Hope Resort – moda praia e fitness – e a Bonjour Lingerie – linha acessível e democrática, comercializada através de catálogos.

“Quando entrei na Hope, a lingerie não era moda e hoje costumo dizer que a roupa íntima são os bastidores da moda, porque lança tendências de comportamento”, avalia como expert em indústria e varejo. Afinal, a Hope é uma das poucas empresas no setor que operam em toda a cadeia produtiva, da matéria prima ao consumidor final, com lojas exclusivas em todo o Brasil, mais de 200 franquias, uma plataforma de e-commerce e marcando presença em lojas multimarcas em mais de 15 países.

Para Sandra, 2020 não foi apenas um ano difícil devido à crise sanitária global, mas sobretudo pela morte de seu pai, em janeiro. Ao mesmo tempo, ela aponta sua visão arrojada de negócios e seu espírito de liderança como herança fundamental, que ajudou na superação de obstáculos e no reconhecimento de grandes oportunidades durante o período.

“Meu pai foi um visionário que inovou no modelo de negócios. Ele era um judeu árabe que enalteceu e deu poder às mulheres durante toda a vida, porque estava cercado por elas: a mãe, cinco irmãs, minha mãe e três filhas”, conta orgulhosa.

A meta do Grupo Hope para 2021 é ambiciosa, tanto estrutural quanto comercialmente. “Em abril devemos inaugurar a expansão do nosso parque fabril, que dobrou de tamanho. E pretendemos abrir 60 lojas para nossas duas marcas principais”, informa. Há também a abertura de duas franquias em mercados emergentes, Paraguai e Angola.

Casada, mãe de três filhos, Sandra Chayo declara que seus momentos em família são sagrados. E seu lifestyle inclui muita atividade física, além de ioga e meditação: “Longe de mim qualquer tipo de pregação do que se deve ou não fazer, mas acredito que sempre podemos ser a melhor versão de nós mesmos”, resume.

A seguir, Sandra Chayo, #MulherdeSucessoResponde:

Donata Meirelles: Com qual mulher de sucesso da História você mais se identifica?

Sandra Chayo: Eu me identifico com empreendedores em geral e​ adoro ler biografias, conhecer os desafios por trás de histórias de sucesso. Duas das mulheres com quem mais me identifiquei foram
Nicole-Barbe Ponsardin, a Veuve Cliquot, empresária do champanhe – que descobri em 2007, quando recebi o prêmio LVMH para mulheres empreendedoras. E a estilista Diane Von Furstenberg. Duas trajetórias incríveis e inspiradoras. Elas desenvolveram seus negócios com inovação e criatividade, tiveram uma importância enorme para a sociedade. Espero alcançar uma fração do sucesso que elas tiveram.

DM: Qual sua maior conquista profissional e pessoal?

SC: Minha maior conquista profissional foi assumir os negócios da​ família e fazê-los prosperar. Geralmente, os empreendedores prosperam a partir de uma oportunidade e a minha – eu não imaginava – estava dentro de casa. Pessoal, é ser mãe. Eu não seria plenamente realizada sem cada um dos meus três filhos.

DM: Não confunda sucesso com…

SC: Dinheiro e fama. Essas coisas são consequências de uma trajetória e são muito relativas. Sucesso é ser o que você quer ser. Para mim, sucesso é atingir minhas metas e traçar novas. É ter a ambição de querer sempre evoluir.

DM: Que qualidades você mais admira em uma pessoa?

SC: Autenticidade, disciplina e, principalmente, amor ao próximo.​

DM: Qual o seu maior luxo não material?

SC: Saúde para viver tudo o que quero viver, com qualidade.​

DM: Se você pudesse ser um animal, qual seria? Por que?

SC: Um Leão. É o meu signo e me identifico muito. Gosto de reinar,​ cuidar da juba… Brincadeira! Na verdade, eu não gostaria de ser um animal.

DM: Qual a sua filosofia de vida?

SC: Minha filosofia de vida tem muito dos propósitos do Grupo​ Hope. Quero estar próxima às pessoas e aos negócios, quero ser sempre a minha melhor versão. Assim como incentivar e ajudar a empoderar mulheres para que sejam suas melhores versões.

Com Mario Mendes e Antonia Petta

Donata Meirelles é consultora de estilo e atua há 30 anos no mundo da moda e do lifestyle.