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Fortes resultados do Carrefour no 4º tri animam o mercado; confira análises

A recomendação da Ativa Investimentos também é de Compra, com preço-alvo de R$ 24, assim como a da Mirae Asset, que tem preço-alvo de R$ 25,06.

19/02/2021 06h42
Por: Leonardo Brum
Fonte: Investing
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Os fortes resultados no quarto trimestre reportados pelo Carrefour surpreenderam os analistas: a receita total ficou 3% acima da estimativa do Goldman Sachs e do consenso compilado pela Bloomberg.

Depois do balanço, o Goldman Sachs reiterou sua recomendação de Compra para a ação, com preço-alvo de R$ 25,20, destacando a combinação de fundamentos favoráveis, a forte execução e o valuation atrativo. A recomendação da Ativa Investimentos também é de Compra, com preço-alvo de R$ 24, assim como a da Mirae Asset, que tem preço-alvo de R$ 25,06.

A XP Investimentos, por sua vez, tem recomendação Neutra, com preço-alvo de R$ 25. “Acreditamos que os resultados de curto prazo permaneçam sólidos, enquanto vemos o setor estruturalmente melhor no 'novo normal' do que antes da pandemia devido a políticas flexíveis de home office e novos hábitos de consumo”, resume a corretora.

A análise da Ativa vai na mesma linha: “Para o ano de 2021, vemos a empresa conseguindo manter a participação de mercado que conquistou, acelerando cada vez mais sua transformação digital. (...) No cenário da inflação alimentar e do auxílio emergencial, acreditamos que esses serão pontos chaves para entender como se dará o crescimento da companhia no ano.”

A Mirae também se mostra otimista com o futuro da companhia, apontando o forte volume de inaugurações de lojas e as demais lojas do Makro como principais fatores de crescimento.

O mercado reagiu positivamente aos números, conforme previsto pelo Goldman, pela XP e pela Ativa. Apesar de dia negativo para o Ibovespa, que fechou em queda de 0,96%, aos 119.199 pontos, o papel encerrou as negociações em alta de 2,34%, a R$ 20,60, tendo atingido R$ 20,69 na máxima do pregão.

O Ebitda ajustado também surpreendeu, ficando 8% acima da projeção do Goldman e 11% acima do consenso, impulsionado principalmente por fortes ganhos de margem no varejo. 

As vendas nas mesmas lojas permaneceram fortes em todos os formatos, chegando a crescer no atacado, que teve alta de 27% na comparação com o mesmo período do ano anterior e de 25,8% em relação ao terceiro trimestre. Ainda que a inflação no preço dos alimentos tenha tido um importante papel, o crescimento também foi impulsionado pelos fortes volumes.

A margem bruta do segmento de atacado, no entanto, apresentou contração na comparação anual, para 14,1%, devido a investimentos para melhorar a competitividade, aumentar a parcela de clientes B2B no mix de vendas e a abertura de lojas. As despesas gerais e administrativas, por outro lado, tiveram melhora, puxadas pela forte alavancagem operacional. Assim, a margem Ebitda do segmento contraiu apenas 39 pontos base, para 7,5%.

Em relação ao varejo, a rede registrou crescimento de 15,8% em vendas nas mesmas lojas, ou 13,2% quando considerado o e-commerce. O volume total de vendas subiu 14% ano a ano. A margem bruta de 14,9% do segmento, maior do que no 4T19, veio de melhorias na dinâmica promocional, ganhos de eficiência e do breakeven do e-commerce. Também nesse segmento houve queda em despesas gerais e administrativas, levando a uma margem Ebitda de 8,1%.

A performance do Banco Carrefour também ajudou os resultados, e foi a responsável por fazer com que o balanço superasse as estimativas da XP. O banco atingiu Ebitda de R$ 266 milhões, contra a estimativa da XP de R$ 119 milhões e R$ 335 milhões no quarto trimestre de 2019.

Além disso, a empresa anunciou o pagamento de um dividendo adicional de R$ 759 milhões e uma mudança na sua política de dividendos para até 45% do lucro líquido ajustado, contra 25% anteriormente.

Alguns outros destaques positivos do balanço foram o anúncio de novas iniciativas de ESG, a forte geração de caixa, o lançamento do novo app em novembro de 2020, a implementação da tecnologia Scan&Go no aplicativo, o crescimento das marcas próprias, o ganho de marketshare no hipermercado.

Alguns destaques negativos, por outro lado, foram a queda do e-commerce do segmento não alimentar, a redução da receita líquida do Banco Carrefour, a piora no resultado dos postos de gasolina.