invista em startups
Juros

Selic deveria subir em março, diz Credit Suisse

O banco vê uma reedição do auxílio emergencial com custo máximo de cerca de R$ 30 bilhões

19/02/2021 07h03
Por: Leonardo Brum
Fonte: Forbes
152

 

A inflação no Brasil ficará ainda mais alta que o esperado e bem acima do centro da meta neste ano, com as expectativas para 2022 já sob risco, e esse cenário pede uma ação mais efetiva do Banco Central, cuja avaliação atual sobre a alta dos preços ainda parece “leve”, disse a economista-chefe do Credit Suisse Brasil, Solange Srour.

Segundo a economista, com o aumento dos custos se intensificando, o BC deveria começar um processo de normalização da política monetária no próximo mês e com uma elevação de 0,50 ponto percentual da taxa Selic. O juro chegaria ao fim do ano em 4,5% (ante os atuais 2%) e iria para 6% ao término de 2022.

O nível “extraordinariamente baixo” dos juros é um dos fatores por trás da volatilidade cambial, mas Srour ponderou que o vaivém no dólar não diminuirá caso um aperto monetário seja acompanhado de deterioração de perspectivas fiscais. Ela projeta que o dólar fechará o ano em R$ 5,20, ante os R$ 5,44 desta quinta.

“Esperamos que simplesmente mantenha-se a regra do teto de gastos. Não é nada extraordinário. O dólar baixaria mais em caso de aprovação de reformas que estruturalmente levam o país a crescer mais e a ter uma dívida mais sustentável…Mas evitar piorar já é um caminho”, afirmou em entrevista à Reuters.

A economista chama atenção para o período até o fim da semana que vem, quando, em sua expectativa, poderá haver algum consenso sobre a PEC Emergencial, que estabelece gatilhos para conter as despesas públicas. Na tarde desta quinta, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou que a chamada PEC Emergencial será pautada no plenário da Casa na próxima semana.

Srour vê uma reedição do auxílio emergencial com custo máximo de cerca de R$ 30 bilhões. “Se passar disso, for a 50 bilhões (de reais), aí temos risco de ir mais alto…de alguém falar em R$ 70 bilhões… Isso ainda é um problema, pois é um gasto que terá de ser pago com dívida…e isso vai pressionar a curva de juros”, afirmou, lembrando que já existe uma pressão vinda de fora para abertura de taxas de juros.

Inflação

A profissional demonstrou preocupação mais visível com relação ao cenário inflacionário. Por ora, a projeção oficial do Credit Suisse é que o IPCA suba 4,2% neste ano, mas o viés é de alta. O centro da meta de inflação para este ano é de ​3,75%.

Segundo ela, o risco de inflação ascendente ganhou força com a decisão da Petrobras de elevar os preços de combustíveis, em meio à percepção de que o dólar seguirá pressionado e aos ganhos das commodities.

“Fora isso ainda temos outro componente. A comunicação hoje (do BC) ainda não está muito dura no sentido de alta dos juros”, disse. “O BC tem bastante credibilidade, mas se a comunicação não for enfática de que realmente a gente vai precisar controlar a situação e (se) ficar só na questão do (aumento de preço) temporário, isso vai acabar impactando mais a inflação… É hora de o BC agir.”

Para a economista, por ora a comunicação ainda parece “leve” em termos de tons de preocupação sobre o rumo dos preços. “A questão não é a comunicação, mas a avaliação do cenário inflacionário, do balanço de riscos, que para mim é muito mais desfavorável do que na avaliação do BC”, disse.