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C-Suite: Milena Palumbo é nova CEO da GL events no Brasil

Milena vai liderar a multinacional francesa de eventos no Brasil

07/04/2021 07h03
Por: Leonardo Brum
Fonte: Forbes
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Milena vai liderar a multinacional francesa de eventos no Brasil
Milena vai liderar a multinacional francesa de eventos no Brasil

 

Nesta quinzena, o C-Suite traz as movimentações de C-Levels de diferentes setores, com destaque para as fintechs. A fintech brasileira Nubank anunciou que David Vélez está assumindo a liderança global da instituição, uma cadeira que não existia. Com esse movimento, Cristina Junqueira, uma das cofundadoras do banco digital, passa a ocupar a posição de CEO no Brasil.

Ainda no setor financeiro, o PicPay anunciou a contratação de Guilherme Telles para comandar a estratégia e o marketing da empresa. O executivo foi o responsável por trazer o Uber para o Brasil em 2014 e é sócio do fundo de venture capital Atlantico. Já a Bitso Brasil, uma das maiores plataformas de criptomoedas da América Latina em volume, comunicou a chegada de Marcos Jarne, ex-Nubank, como country manager.

No setor de cosméticos, o destaque vai para a L’Oreal Brasil, que anunciou a saída de An Verhulst-Santos da liderança. A executiva parte para o Canadá, onde assumirá como presidente e diretora geral da operação local da gigante de cosméticos. Enquanto isso, quem fica no comando da companhia no Brasil é Marcelo Zimet, ex-CEO da L’Oreal Argentina.

Nesta edição, o C-Suite conversou com Milena Palumbo, nova CEO da multinacional francesa GL events no Brasil. A executiva, que tem 15 anos de experiência no setor, é a primeira mulher na liderança em mais de 40 anos de atuação global da empresa. Bacharel em turismo, com especialização em gestão de negócios e comercial, Milena foi responsável por conduzir eventos como a Bienal do Livro Rio e Mondial de La Bière.

Leia, a seguir, os planos de Milena no comando da GL events:

Forbes: Como uma empresa especializada em grandes eventos faz para se tornar resiliente em meio a uma pandemia e ao consequente isolamento social?

Milena Palumbo: Resiliência é uma característica intrínseca ao mercado de eventos, independente do momento, uma vez que convivemos com altos e baixos o tempo todo. Há o desafio de fazer um negócio – leia-se evento – dar muito certo em dois ou três dias, enquanto qualquer outro mercado tem muito mais tempo para errar, consertar, testar e maturar qualquer decisão. O nosso negócio é em tempo real. Se o planejado por acaso não estiver dando o resultado esperado, temos que replanejar e implementar imediatamente. Isso faz com que esse seja um mercado não apenas resiliente por natureza como extremamente ágil e criativo.

Neste momento, em especial, estamos lidando com a maior crise da história recente e convivendo com a paralisação total do setor pela primeira vez. Não é trivial, nem tem sido fácil, mas temos aprendido muito e dedicado todos os nossos esforços a criar e desenvolver novos negócios e reinventar outros, de forma a estarmos preparados para a retomada.

A sociedade está esperando por isso, ninguém aguenta mais ficar recluso. O ser humano é social, precisa do encontro, e o evento proporciona isso não apenas no entretenimento – que mostrou sua essencialidade nessa pandemia – quanto em formatos B2B, pois há setores que precisam “ver de perto” os produtos antes de comprar, como o têxtil e de estética, para citar apenas dois exemplos.

O isolamento está nos mostrando o quanto a interação presencial é importante, tanto para o entretenimento quanto para os negócios, o que garante que os eventos, em breve, estejam de volta. Apesar das adaptações virtuais funcionarem como paliativos em alguns casos e com boa potencialidade em outros, elas não substituem – e nunca substituirão – o presencial.

E, no nosso caso, em especial, o modelo de negócio está pautado em relações sólidas e de longo prazo, a exemplo de concessões de espaços com mais de 20 anos de contrato e sócios parceiros em diversos eventos proprietários, o que exige e reforça um DNA resiliente.

F: Como você avalia o setor este ano em comparação ao ano passado?

MP: A GL events é uma multinacional francesa que opera em 27 países, com a gestão de 51 espaços de eventos, e todos ficaram fechados. Tivemos poucos no primeiro bimestre do ano passado e, em seguida, o setor ficou totalmente parado e sem perspectivas de retorno, em um ambiente de incertezas. Na China, por exemplo, voltamos a operar em dezembro com grande crescimento. Por aqui, registramos faturamento com a prestação de serviços para a construção de hospitais de campanha, operados pela GL events Live, especializada na concepção, produção e fornecimento de serviços e instalação de estruturas temporárias para situações de todos os tipos e portes.

Para 2021, temos previsões mais positivas. Com o processo de vacinação acontecendo no mundo todo, podemos prever um segundo semestre de retomada, especialmente no último trimestre do ano, quando haverá uma grande concentração de eventos que acabaram represados ao longo do ano. Claro que com as adaptações necessárias e seguindo todos os protocolos de segurança, mas já com um cenário mais estável.

F: Qual a importância de uma liderança criativa em meio às restrições dos últimos meses?

MP: Resiliência e criatividade andam juntas. Não só para lidar com as restrições deste momento, mas para o mercado de eventos em geral. Trabalhar com planejamento e execução nos permite um exercício mais intenso da criatividade e do dinamismo, exigindo, inclusive, uma boa dose de ousadia. Nós atuamos na cadeia completa de eventos, desde a gestão de espaços, passando pela produção de feiras até a prestação de serviços e, assim, temos mais espaço para aplicar inovação, para trazermos soluções dinâmicas e imediatas. Podemos, por exemplo, mudar totalmente a estrutura de um evento de uma edição para outra, movimento que se torna inviável em outros negócios, ou ainda adaptar nossos espaços e incorporar novas prestações de serviços.

Precisamos estar sempre atentos às mudanças culturais e de comportamento de diversos mercados, pois o setor de eventos mergulha no universo de todos os outros segmentos econômicos – de agronegócio e construção civil à literatura, gastronomia e moda. Temos o privilégio de conhecer um pouco de cada um deles, suas dores e desafios. Estudamos seus públicos e mercado, com o objetivo de desenvolver eventos que conversem com as necessidades de cada um, o que muda o tempo todo. Então, a cada nova edição é preciso buscar novas formas de conexão com os públicos.

F: Quais suas expectativas para os primeiros seis meses como nova CEO da GL events?

MP: Serão meses de planejamento, principalmente por conta da concessão do gigante Anhembi – um projeto completo do desenvolvimento imobiliário, passando pela modernização dos equipamentos de eventos existentes e criação de novos produtos como uma Arena Multiuso. Os próximos meses serão também, sem dúvida, de avaliação de novas oportunidades de negócios. Estamos em um momento de transformação do mercado que requer análises cuidadosas para nortear os próximos investimentos da companhia no país, mas com uma série de novas oportunidades.