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O 5G elevará a rede móvel a outro patamar: uma solução para interconectar e controlar máquinas, objetos e dispositivos

09/04/2021 07h17
Por: Leonardo Brum
Fonte: Forbes
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O 5G elevará a rede móvel a outro patamar: uma solução para interconectar e controlar máquinas, objetos e dispositivos
O 5G elevará a rede móvel a outro patamar: uma solução para interconectar e controlar máquinas, objetos e dispositivos

 

A nova geração da internet móvel nunca esteve tão próxima – e, ao mesmo tempo, tão longe – dos brasileiros. Desenvolvida como uma evolução da conexão 4G atual, a tecnologia 5G promete uma série de revoluções que contribuirão para uma implementação efetiva da Indústria 4.0, com mais velocidade para baixar e enviar arquivos, estabilidade na conexão e possibilidade de conectar muitos objetos simultaneamente – como carros, TVs, computadores, câmeras de segurança e celulares – à internet. 

“Se as gerações anteriores foram utilizadas para conectar majoritariamente pessoas, o 5G elevará a rede móvel a outro patamar: uma solução para interconectar e controlar máquinas, objetos e dispositivos. Além de prover uma altíssima velocidade de transmissão de dados, alcançando múltiplos GigaBPS, a tecnologia também foi concebida para uma conexão com baixíssima latência e alta confiabilidade”, explica Hélio Oyama, diretor de desenvolvimento e negócios na Qualcomm LATAM – empresa especializada na fabricação de chipsets e soluções tecnológicas para comunicação móvel.

Essas características fazem do 5G uma tecnologia elegível a ser usada em uma multiplicidade de casos e segmentos de mercado, como telemedicina, agricultura, energia, varejo e transporte, entre outros. Segundo Oyama, a nova geração da internet não apenas aprimora os serviços de banda larga móvel de hoje, mas também expande as redes móveis para suportar uma vasta diversidade de dispositivos e serviços, e conectar novos setores com melhor desempenho, eficiência e custo.

A Coreia do Sul foi a primeira a oferecer a tecnologia, quando antecipou – em 2019 – o lançamento da rede 5G. Desde então, países como os Estados Unidos, Austrália, Alemanha, China e Japão avançam rapidamente no mercado mundial de telecomunicações, com o objetivo de acelerar a implantação da tecnologia para os cidadãos e aproveitar ao máximo todas as soluções oferecidas pela nova rede. Por esse motivo, a expectativa é que, nos próximos anos, a disponibilidade do 5G para os usuários aumente de forma rápida e exponencial.

De acordo com a 5G Americas, associação do setor sem fio e voz da 5G e LTE nas Américas, o número de assinantes e redes comerciais 5G já em operação está chegando a sua massa crítica, indicando a rápida adoção da tecnologia nos próximos anos. Para Chris Pearson, presidente da organização, a rede ainda está no início de atingir todo o seu potencial, e o setor está apenas no começo de uma longa jornada. “Passamos de 15,4 milhões para 401 milhões de assinantes no segundo ano completo de acesso à tecnologia 5G. O nível de adoção deve acelerar ainda mais nos próximos anos.” A Omdia, especializada em cobertura global de telecomunicações, mídia e tecnologia, está projetando 3,4 bilhões de conexões 5G no mundo todo até o final de 2025.

Como o 5G se difere do 4G?

Hélio Oyama destaca que a nova geração da internet é uma plataforma unificada que tem mais capacidade do que a tecnologia anterior. “O 5G não apenas elevará as experiências de banda larga móvel, mas também suportará novos serviços, como comunicações de missão crítica e IoT. O serviço oferecerá suporte nativo a todos os tipos de espectro (licenciado, compartilhado, não licenciado) e bandas (baixa, média, alta), uma ampla variedade de modelos de implantação (de macro células tradicionais a hotspots), bem como novas formas de interconexão”, explica. O especialista aponta, ainda, que o 5G oferecerá suporte a um aumento de 100 vezes na capacidade de tráfego e eficiência da rede.

Outra novidade é que o 5G possui uma melhor eficiência espectral se comparado ao 4G, o que faz com que a evolução da tecnologia seja capaz de transmitir mais bits por unidade de frequência, o que pode ser traduzido em maior velocidade de transmissão de dados. Além disso, o 5G possui 10 vezes menos latência de ponta a ponta para fornecer acesso instantâneo e em tempo real do que seu antecessor, podendo chegar a até 1 milissegundo.

“O 5G foi projetado para fornecer picos de taxas de dados de até 20 gigabits por segundo e taxas de dados médias de mais de 100 megabits por segundo. Com base nos resultados do Ookla Speedtest – serviço online que testa a largura de banda da conexão com a internet para locais no mundo inteiro -, o 5G sub-6 GHz fornece cinco vezes mais velocidade do que a geração anterior”, completa.

Como será a vida com o 5G?

Ao redefinir uma ampla gama de setores, do varejo à educação, transporte e entretenimento, o 5G é visto pelo especialista como uma tecnologia tão transformadora para a humanidade quanto o automóvel e a eletricidade. “[A rede] vai possibilitar que a computação em nuvem se expanda, com os dados sendo processados diretamente na fonte, algo fundamental na transição para o mundo totalmente digitalizado. Subir e baixar arquivos com um dispositivo móvel será muito mais rápido e, muitas vezes, o usuário nem vai perceber que o conteúdo está na nuvem.”

A evolução da tecnologia contribuirá para que as chamadas de vídeo rodem com mais fluidez, devido a maior velocidade da banda larga, menor latência e maior capacidade de rede. A transmissão de vídeos e jogos multiplayers também será impulsionada a um nível superior de conectividade. No entretenimento, shows, eventos esportivos, treinamentos online e histórias nas redes sociais poderão incorporar recursos de realidade virtual e realidade aumentada para proporcionar experiências imersivas, com uma série de aplicações com muito mais qualidade do que as do 4G.

“As cidades do futuro serão conectadas e inteligentes. O 5G é a base necessária para que serviços e infraestrutura possam trocar dados em tempo real com dispositivos e veículos”, explica Oyama. Além das cidades inteligentes e sustentáveis, que fazem uso da tecnologia para desenvolver seus sistemas e melhorar a qualidade de vida, o 5G também será essencial para a introdução da C-V2X, uma solução que servirá como base para os veículos se comunicarem entre si e com tudo o que os rodeia, como estradas e semáforos. “Será uma verdadeira revolução na mobilidade urbana, reduzindo significativamente o número de acidentes.”

Meu celular será compatível?

O especialista afirma que não. Os smartphones atuais 4G terão que ser substituídos pelos novos que suportam a evolução da rede. “À medida que a tecnologia vem avançando no que diz respeito à implementação, os OEMs (Fabricantes do Equipamento Original) estão lançando cada vez mais celulares com conectividade 5G.”

O iPhone 12, da Apple, é a primeira linha da marca com capacidade para o 5G, e chega ao Brasil por valores ao redor de R$ 7 mil. Na Samsung, o modelo já comercializado é o Galaxy S21 (R$ 5.300). “A Qualcomm está trabalhando nesta expansão, de modo a disponibilizar para o mercado plataformas móveis para celulares de entrada. A ideia é que diversos tipos de consumidores possam ter acesso a smartphones 5G”, diz Oyama.

Com o tempo, a tendência é que todos os modelos incorporem a compatibilidade ao 5G.

Vai ser mais caro?

Como qualquer tecnologia inovadora, espera-se que, inicialmente, os dispositivos habilitados para a nova tecnologia sejam mais caros. No entanto, Oyama acredita que a curva de redução de preço do 5G seja mais rápida do que ocorreu com seu antecessor.

“[Temos um] ecossistema de fabricantes muito maior do que na tecnologia anterior. Além dos tradicionais, temos agora vários fabricantes asiáticos que se posicionam com uma alta especificação e preços competitivos”, explica. Na Qualcomm, por exemplo, onde a estratégia é massificar e democratizar o 5G, o planejamento é que, ainda em 2021, os chipsets da série Snapdragon 400 – linha de processadores voltada para dispositivos de baixo custo – já sejam compatíveis com a nova tecnologia.

Até o momento, a rede de quinta geração estava disponível apenas em handsets das faixas intermediária e alta com as seguintes plataformas móveis: 865 Plus, 865 e 855; 768G, 765 e 765G; e 690. Motorola, Oppo e Xiaomi devem ser os primeiros fabricantes a lançar celulares básicos com a linha Snapdragon 4. A expectativa da fabricante de chips é que mais de 750 milhões de smartphones 5G sejam vendidos em 2022, número que deve ultrapassar 1 bilhão no ano seguinte.

Como está atualmente o 5G no mundo?

Em 2019, a Coreia do Sul antecipou o lançamento da rede 5G e tornou-se o primeiro país a oferecer a tecnologia. No dia do lançamento, Ryu Young-sang, vice-presidente executivo da operadora móvel SK Telecom, disse ser “significativo que as empresas de telecomunicações sul-coreanas estejam fornecendo serviços e redes e atendendo aos altos padrões de velocidade e qualidade de imagem dos clientes do país”. Em outubro de 2020, o país registrou 9,98 milhões de usuários de smartphones 5G, segundo o ministério de Ciência e Tecnologia da região.

Em março de 2020, um relatório publicado pela VIAVI Solutions revelou que a nova rede de dados já estava disponível em 85 cidades sul-coreanas, deixando para trás a China e os Estados Unidos, com 57 e 50 cidades, respectivamente. Na época, a pesquisa indicou que o bloco formado pelos países da Europa, Oriente Médio e África liderava o número de instalações, com 168 cidades, seguido da Ásia (156) e as América (54).
Atualmente, os Estados Unidos e a China disputam o mercado de telecomunicações e buscam hegemonia para levar a infraestrutura e a implementação da tecnologia 5G para outros países do mundo.

Como o Brasil está posicionado em relação à tecnologia?

Lançada por aqui em julho de 2020 pela Claro e, posteriormente, pela Vivo e TIM, a rede já está disponível pela tecnologia DSS (Compartilhamento Dinâmico de Espectro), que funciona como uma transição entre a quarta e a quinta geração da rede e permite a operação simultânea do 5G e 4G nas mesmas frequências de espectro atuais.

No entanto, em relação às novas frequências do 5G, o Brasil ainda está em fase de organização do leilão da rede, e pode se tornar um dos países mais atrasados a adotar a tecnologia. Inicialmente, ele aconteceria em 2020, mas por conta da pandemia de Covid-19 a venda das faixas teve que ser adiada. Em fevereiro de 2021, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) estabeleceu as regras que vão impulsionar o lançamento da tecnologia no país. O edital prevê que o vencedor do leilão – previsto para o primeiro semestre de 2021 – terá que garantir o 5G em grandes cidades a partir de 31 de julho de 2022.

O próximo passo é calcular o valor dos lances para cada bloco de frequências que será leiloado, para que o TCU (Tribunal de Contas da União) examine as informações. A instituição tem 150 dias para fazer esta análise, mas para que o leilão aconteça ainda no primeiro semestre de 2021 o processo teria de ser concluído em 50 dias.

Nesse contexto, a empresa de tecnologia Ericsson inaugurou, em março deste ano, a primeira linha da América Latina dedicada exclusivamente à produção da tecnologia 5G em sua fábrica de São José dos Campos, no interior de São Paulo. Graças à companhia, o Brasil será o primeiro país do hemisfério sul a produzir a tecnologia 5G, atendendo à demanda local e aos demais países da região.

A guerra comercial entre os EUA e a China pode afetar o Brasil?

Os planos de expansão do 5G no Brasil também são influenciados pela guerra comercial entre os Estados Unidos e a China. Durante o governo de Donald Trump, o ex-presidente norte-americano anunciou uma série de restrições à Huawei – fabricante de dispositivos e equipamentos para redes e telecomunicações e atual líder global na tecnologia 5G – que bloquearam parcial ou totalmente a adesão do 5G por meio de empresas chinesas, na justificativa de que tecnologia seria capaz de armazenar dados particulares, permitindo que o governo chinês espionasse os usuários de outros países. A China nega as acusações e argumenta que o único interesse dos EUA é minar o crescimento tecnológico chinês.

Nesse contexto, os norte-americanos querem que o Brasil exclua a Huawei de sua rede 5G, assim como outros países do mundo – como Reino Unido, Austrália e Japão – já fizeram. Em 2020, o presidente Jair Bolsonaro afirmou ser contra o uso das tecnologias da Huawei sob o mesmo discurso ideológico: de que a infraestrutura será usada para monitorar governos e usuários. Ambos os lados da disputa ameaçam o Brasil de sanções de acordo com o posicionamento final.

No edital estabelecido em fevereiro deste ano, a Anatel determinou que a gigante chinesa não seja excluída do leilão. As empresas brasileiras de telecomunicações argumentaram que excluí-la custaria bilhões de dólares para o país, já que seria necessário substituir o equipamento da empresa, que fornece 50% das atuais redes 3G e 4G. No mês seguinte, Fábio Faria, ministro das Comunicações, disse que a multinacional não poderá atuar na rede privada de comunicação do governo. A construção de uma rede privativa estatal é uma das obrigações previstas no leilão do 5G.

Quais são os principais desafios da implantação?

Segundo o estudo “Encorajando os Investimentos no 5G”, da prestadora de serviços KPMG revelado com exclusividade à Forbes, uma das principais barreiras para a implantação das redes 5G é a remoção dos entraves administrativos, uma vez que a nova tecnologia exigirá uma coordenação com várias autoridades locais e regionais para instalar a infraestrutura necessária.

Segundo o relatório, o apoio do governo é fundamental para acelerar a presença da rede. O documento conclui que “o 5G tem potencial para impulsionar o crescimento econômico em vários setores e vários governos forneceram financiamento para pesquisa e desenvolvimento para os casos de uso provenientes da utilização da tecnologia”. O levantamento da KPMG considerou as implantações e os planos do 5G nas principais regiões do mundo (Coreia do Sul, EUA, Japão, China e Europa).

A pesquisa indicou também que a implantação das redes 5G será, provavelmente, um exercício dispendioso, devido aos requisitos de infraestrutura e ao desejo de obter uma cobertura mais ampla. Por isso, a companhia considera fundamental que os formuladores de políticas e as operadoras de telefonia móvel tenham alternativas para conseguir sustentar as necessidades da implantação das redes em seus respectivos países.

Quais os impactos do atraso do leilão?

Para Adilson Magalhães, chief customer officer da Claranet, multinacional de tecnologia com foco em serviços gerenciados de cloud computing e big data, o atraso da tecnologia 5G no Brasil pode impedir novos investimentos em diferentes setores, impactando o resultado econômico do país. “Não estamos falando apenas de dispositivos que temos em casa. As transportadoras poderão ser mais eficientes em sua logística e segurança, assim como os hospitais serão capazes de integrar seus equipamentos até atingir uma performance nunca vista antes no monitoramento dos pacientes, possibilitando até mesmo cirurgias remotas”, afirma o especialista.

Segundo o estudo “Restricting Competition in 5G Network”, feito pela Oxford Economics a pedido da Huawei em dezembro de 2019, um atraso na implantação da nova rede resultaria em inovação tecnológica mais lenta e menor crescimento econômico. Em um cenário de médio impacto, isso causaria reduções do PIB nacional até 2035 que variam de US$ 2,8 bilhões na Austrália a US$ 21,9 bilhões nos Estados Unidos. Nos oito países analisados, a pesquisa indica que o PIB per capita seria, em média, US$ 100 menor por pessoa até 2035, em comparação com um cenário sem restrição na provisão de infraestrutura 5G.

O relatório aponta, ainda, que limitar a participação a um único fornecedor-chave de infraestrutura 5G na construção da rede de um país pode aumentar de 8% a 29% os custos totais de investimento da nação na próxima década. “Nos Estados Unidos, isso se traduz em um aumento médio nos custos de quase US$ 1 bilhão por ano na próxima década.” A pesquisa avaliou o custo econômico da restrição da concorrência em oito mercados: Austrália, Canadá, França, Alemanha, Índia, Japão, Reino Unido e Estados Unidos.

Quanto custa a infraestrutura de 5G?

Adilson Magalhães, da Claranet, explica que ainda não é possível calcular os custos de implantação da tecnologia 5G no Brasil, pois os valores essenciais – como o das frequências que serão licitadas para a prestação do serviço – ainda não foram estabelecidos.

“A variação de faixas de frequência e as regras estabelecidas para o leilão permitirão a participação dos maiores fornecedores de infraestrutura 5G do mundo, inclusive chineses. A expectativa do mercado é que seja o maior leilão já realizado no mundo”, pontua.

Em fevereiro deste ano, a Anatel estimou que o custo das faixas de frequência do leilão do 5G deve ser entre R$ 33 bilhões e R$ 35 bilhões. Segundo o presidente da agência, Leonardo Euler de Morais, a maior parte desta quantia será destinada às obrigações de investimentos, como a instalação de fibra ótica e a migração do sinal de parabólicas para evitar interferência.