invista em startups
Ásia

Por que investidores asiáticos estão comprando startups de tecnologia do Reino Unido

Capital investido em 2021 já soma US$ 2,3 bilhões, alocado em 577 startups no Reino Unido

14/07/2021 06h53
Por: Leonardo Brum
Fonte: Forbes
115
Capital investido em 2021 já soma US$ 2,3 bilhões, alocado em 577 startups no Reino Unido
Capital investido em 2021 já soma US$ 2,3 bilhões, alocado em 577 startups no Reino Unido

 

Os investimentos asiáticos em startups de tecnologia no Reino Unido nos primeiros seis meses de 2021 já superaram o total de aportes realizados durante todo o ano passado. O capital vindo da Ásia e do Oriente Médio somou US$ 2,3 bilhões para essas empresas, contra US$ 1,4 bilhão de 2020.

Até o momento, 577 startups no Reino Unido têm apoio de investidores asiáticos, de acordo com dados da Dealroom.co e do Conselho de Economia Digital do Departamento de Cultura, Mídia e Esporte. Entre eles estão os varejistas online Farfetch e Checkout.com, além do recém-lançado Cazoo and Arrival.

Durante os últimos cinco anos, os investidores chineses têm avançado na compra das startups de tecnologia no Reino Unido. Embora os japoneses sejam os maiores investidores asiáticos em empresas de tecnologia do Reino Unido, em grande parte graças aos fundos do Softbank, a participação tem diminuído constantemente diante do apetite dos investidores chineses.

O número de bilionários e milionários na China também tem crescido rapidamente, assim como as opções para alocar essa riqueza. Singapura e Hong Kong são agora o segundo e o quarto territórios, respectivamente, que mais investem em startups de tecnologia do Reino Unido. Os Emirados Árabes Unidos estão em terceiro lugar.

“A tecnologia britânica continua a impressionar no cenário global”, afirmou Matt Warman, ministro de Infraestrutura Digital do país. “Somos a capital tecnológica da Europa e, graças às nossas regulamentações pró-inovação e infraestrutura digital de classe mundial, investidores experientes na Ásia estão apoiando nossos empreendedores como nunca antes.”

O ano passado foi recorde na arrecadação de fundos no Reino Unido: mais de US$ 15 bilhões foram arrecadados pelo setor de tecnologia, US$ 200 milhões a mais do que no ano anterior.

Já neste ano, muitas empresas testemunharam avaliações crescentes. Em maio, o Dealroom.co previu o total de 132 unicórnios no país, o mesmo que startups avaliadas em mais de US$ 1 milhão.

Embora a Grã-Bretanha não tenha produzido nenhum gigante da tecnologia na escala da Apple ou da Amazon, se especializou em certas áreas, como fintechs e health techs.

Mas o setor de tecnologia financeira foi o que levou mais capital, como bem demonstra a listagem bem-sucedida da Transferwise, que levou sua avaliação pós IPO para US$ 13 bilhões.

A menor atratividade das empresas asiáticas de tecnologia faz com que muitos investidores voltem seus olhos para o Reino Unido. Novos downloads do aplicativo de transporte privado Didi acabam de ser proibidos na China em meio a riscos de segurança de dados. Suas ações, que só começaram a ser negociadas em Nova York no final de junho, já perderam um terço do valor.

Além disso, o Alibaba foi multado em US$ 2,8 bilhões por práticas anticompetitivas e o IPO do Ant Group foi cancelado devido a preocupações com suas práticas de empréstimo.

Uma série de outras empresas chinesas de tecnologia e aplicativos também foram sujeitos a investigações e proibições. O escrutínio combinado dos reguladores chineses afastou muitos investidores asiáticos de empresas locais de tecnologia, obrigando-os a procurar por investimentos em outros países.

No início deste mês, a chinesa Nexperia comprou a NWF (Newport Wafer Fab), a maior produtora de semicondutores do Reino Unido. Alguns parlamentares se opuseram ao acordo, incluindo Tom Tugendhat, presidente do Comitê de Relações Exteriores, que disse em uma carta ao ministro de Negócios do Reino Unido, Kwasi Kwarteng, que o negócio “representa uma preocupação econômica e de segurança nacional significativa”.

O primeiro-ministro Boris Johnson ordenou uma revisão do acordo, que acabou sendo concluído em 5 de julho, mostrando que o investimento chinês em tecnologia do Reino Unido permanece bem-vindo para o segundo semestre de 2021.