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Dark Web

Golpista da dark web vira informante do FBI para ajudar a prevenir assassinatos por encomenda

O golpista anônimo, usuário da dark web, contou ao FBI que recebeu uma proposta de US$ 5.000 para matar alguém

01/09/2021 06h43
Por: Leonardo Brum
Fonte: Forbes
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O golpista anônimo, usuário da dark web, contou ao FBI que recebeu uma proposta de US$ 5.000 para matar alguém
O golpista anônimo, usuário da dark web, contou ao FBI que recebeu uma proposta de US$ 5.000 para matar alguém

 

A reputação da dark web como espaço sem lei da internet onde tudo, desde drogas, armas e até assassinos podem ser comprados, tornou-se uma lenda urbana moderna. Documentos judiciais divulgados recentemente revelam como um usuário da dark web que alegava oferecer assassinato encomendado era, na verdade, um golpista agindo como informante do FBI.

Em fevereiro de 2020, o golpista anônimo estava no estado de Washington, nos Estados Unidos, quando contou ao FBI que recebeu uma proposta de US$ 5.000 para matar alguém. “Sinto que todas as pessoas alvo de um crime como esse estão em perigo. Os clientes que pagam para matar alguém mostram que levam a sério o assassinato dessa pessoa”, disse  o usuário, de acordo com um mandado de busca e apreensão revisado pela Forbes.

O FBI se ofereceu para fornecer “informações sobre as vítimas, evidências de pagamentos e outras informações para rastrear os mandantes”. Segundo o informante, embora os clientes escondam seus endereços IP e não forneçam seus nomes reais ou detalhes que permitam comprovar suas verdadeiras identidades, eles ainda podem ser identificados. O golpista anônimo não foi identificado, e não se sabe se o FBI conhece sua verdadeira identidade.

De acordo com as informações do mandado, o administrador do site contou aos agentes sobre uma vítima em Bellevue, Washington, e disse que recebeu uma mensagem do usuário que havia encomendado o assassinato, que dizia: “Mate-a o mais rápido possível. Eu não me importo como, apenas tenha certeza de que ela está morta. Eu prefiro que você atire na cabeça dela. Ela trabalha na [corporação] em Bellevue, mas não sei onde exatamente. Não sei se isso ajuda de alguma forma. Ela tem um filho de três anos, e normalmente sai para buscá-lo às 17h, então geralmente chega em casa por volta deste horário. Por favor, não faça nada com o menino. Me envie uma prova quando o trabalho estiver concluído.” Segundo as autoridades, um pagamento de 0,53 bitcoin (cerca de US$ 5.000) foi feito na carteira do informante em 4 de fevereiro de 2020.

Quando o FBI encontrou o alvo, que não foi identificado, os agentes a entrevistaram para determinar quem poderia ter encomendado o assassinato. A agência norte-americana disse que descobriu que o marido da vítima teve um caso extraconjugal com uma mulher que conhecera em uma conferência. Ele não só estava tendo um caso com a amante, como também estava dando dinheiro a ela, e em uma ocasião ela pediu US$ 5.000.

No mandado de busca emitido para analisar as contas de e-mail da Microsoft e do Gmail, a companheira do marido foi identificada como a principal suspeita, e admitiu aos investigadores que havia encomendado o golpe na dark web. A Forbes não está divulgando o nome da suspeita porque nenhuma acusação foi feita ainda.

De acordo com a entrevista retransmitida no mandado de busca, a suspeita disse que usou um “telefone antigo” para solicitar o assassinato e baixou um aplicativo em seu aparelho, que se acredita ser o navegador Tor, para esconder sua identidade. Segundo o FBI, ela disse que tentou impedir o ataque, mas não conseguiu porque não conseguiu acessar o site depois de fazer o pedido.

Antes de ser entrevistada, em dezembro de 2019, a suspeita fez uma visita à casa da vítima e disse ao marido que planejava assassinar sua esposa com uma faca. No entanto, ela contou para o FBI que não estava armada e que não tinha a intenção de realmente matar a mulher. A esposa havia recebido fotos no Facebook que mostravam seu marido e a suspeita se beijando. De acordo com o mandado de busca, o envio foi supostamente organizado pela suspeita.

O governo escreveu que depois que a suspeita decidiu encomendar o assassinato, ela disse que usou um caixa eletrônico bitcoin e visitou vários sites de aluguel obscuros, escolhendo um que não pedia informações de identificação, como uma carteira de motorista. Ela reclamou com o corretor da dark web porque o ataque não havia ocorrido, ao que o informante respondeu que o assassino contratado estava preso e que eles estavam tentando encontrar outra pessoa para fazer o trabalho.

O FBI disse que o informante ajudou a identificar uma outra ordem de assassinato, mas nenhum detalhe foi fornecido.

Frequentemente, os sites de assassinato de aluguel na dark web são considerados golpes. Mas no ano passado, a Europol disse que um homem italiano pagou US$ 12 mil em criptomoedas para alguém agredir sua ex-namorada com ácido, deixando-a numa cadeira de rodas. A agência europeia conseguiu rastrear de onde vinha o pagamento e prevenir o ataque, após fazer “uma criptoanálise complexa e urgente para permitir a identificação do provedor”.