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Kwai

Concorrente direto do TikTok, Kwai amplia estrutura de negócios no Brasil

Na China, o Kwai predomina nas milhares de lives que ocorrem diariamente e que movimentam bilhões em vendas (Crédito: Getty Images)

21/10/2021 07h00
Por: Leonardo Brum
Fonte: Forbes
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Na China, o Kwai predomina nas milhares de lives que ocorrem diariamente e que movimentam bilhões em vendas (Crédito: Getty Images)
Na China, o Kwai predomina nas milhares de lives que ocorrem diariamente e que movimentam bilhões em vendas (Crédito: Getty Images)

 

Presente no Brasil desde 2018, o aplicativo chinês de vídeos curtos Kwai, apresenta nesta quarta-feira, 20, sua nova estratégia de negócios para o mercado local. A plataforma, que nos últimos meses investiu em contratações e ampliação de equipes das áreas de vendas, marketing, comunicação e conteúdo, levou, recentemente, profissionais de empresas como Pinterest, Google e Twitch para sua estrutura. A movimentação é reflexo da abertura de capital da Kuaishou, dona da plataforma, em fevereiro deste ano, em Hong Kong. Na ocasião, o valor captado foi de US$ 5,4 bilhões levando a empresa a atingir US$ 220 bilhões em valor de mercado.

Na nova fase do aplicativo no Brasil, está o lançamento do Kwai For Business, plataforma destinada a empresas com soluções para inserção de conteúdo publicitário e ferramentas orientadas a social-commerce. O serviço permite que marcas e agências de publicidade criem seus próprios conteúdos e gerenciem formatos. Paulo Fernandes, diretor de monetização para Américas do Kwai, explica que o lançamento estava previsto para 2022, mas foi adiantado em função do crescimento da plataforma no Brasil. “Temos hoje, no País, uma base de 45,4 milhões de usuários, de acordo com a ComScore”, explica.

No início de outubro, a plataforma anunciou seus primeiros parceiros no mercado brasileiro. Entre eles, as empresas 99, Amazon Prime Video, O Boticário, Duolingo e Subway. Globalmente, o Kwai concorre diretamente com o TikTok, plataforma também de origem chinesa de propriedade da Bytedance que já vale mais de US$ 250 bilhões e tem o mercado brasileiro como estratégico. Nos últimos meses, a plataforma fechou parcerias de transmissão inéditas, por exemplo, de campeonatos de futebol como o Brasileirão e exibições de shows exclusivos como do artista J Balvin.

Live-commerce como estratégia

O Kwai foi criado na China em 2011. Em sua primeira fase, tinha foco em compartilhamento de gifs. Em 2012, direcionou sua estratégia para vídeos. Atualmente, a base de usuários ativas mensais ultrapassa 1 bilhão de pessoas e, além do conteúdo, a plataforma está associada ao social-commerce e live-commerce, duas tendências importantes na dinâmica de transformar redes sociais em canais de vendas. No ano passado, o aplicativo movimentou, na China, US$ 51,5 bilhões por meio de transmissões ao vivo. O TikTok, concorrente direto da plataforma, vendeu US$ 30,1 bilhões em seu país de origem.

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“O e-commerce é uma das verticais mais importantes para o Kwai, tanto na navegação nativa como por meio das soluções desenvolvidas em parceria e com ferramentas específicas. Dentro deste segmento, o live-commerce ou live-streaming é uma potência e nosso foco, nos próximos meses, será ampliar ainda mais as ferramentas que contribuem para levar as pessoas diretamente para uma live e possibilitar que nossos parceiros consigam ampliar seus negócios”, explica Paulo Fernandes.

Para Mari Galindo, cofundadora da Nice House, hub de produção de conteúdo para Geração Z, o Kwai se estrutura no início de uma nova fase da creator economy no Brasil, onde o comércio eletrônico se tornou fundamental. “No passado, as indústrias da moda e da beleza impulsionaram o ecossistema de plataformas como o Instagram, YouTube e Blogs, criando modelos de vendas, comissionamentos e muito do que entendemos hoje como marketing de influência. Porém, com uma população mais digitalizada e um ambiente de comércio online mais amadurecido, as plataformas entendem que vender online e utilizando vídeo como linguagem principal para demonstração de produto gera conexão e confiabilidade”, afirma.

De acordo com a Kantar, nos últimos três anos, a alta acumulada no consumo de vídeo foi de 84%. No caso de redes sociais, o Brasil assiste 80% de vídeos gratuitos ante a uma média global de 57%.