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Cripto

Bitcoin e Ethereum atingem novos recordes com receios contínuos com a inflação

Na verdade, o número máximo de Bitcoins que podem existir é de 21 milhões de unidades, ao passo que os bancos centrais têm a capacidade de imprimir uma quantidade ilimitada de dinheiro.

10/11/2021 06h45
Por: Leonardo Brum
Fonte: Investing
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As duas maiores criptomoedas em termos de market cap, Bitcoin e Ethereum, atingiram novos recordes na terça-feira, à medida que receios com a inflação global e a atual era do dinheiro barato continuam a dar suporte aos preços. A decisão do Fed na semana passada de reduzir as compras de ativos, embora sem sinalizar aumentos iminentes nas taxas de juros, pareceu ser o mais novo catalisador para o movimento de alta.

"A recente escalada nos criptoativos parece ter sido causado pela entrada maciça de investidores, que os enxergam como uma proteção contra a inflação", disse Susannah Streeter, analista sênior de investimento e mercados da Hargreaves Lansdown, em relatório divulgado por e-mail. "Alguns parecem ter sido encantados pelo argumento de que os enormes programas de estímulo monetário lançados pelo banco central estão alimentando a inflação, fazendo com que o valor do dinheiro diminua ao longo do tempo, enquanto o Bitcoin possui um limite fixo para o número de moedas que podem ser criadas".

Na verdade, o número máximo de Bitcoins que podem existir é de 21 milhões de unidades, ao passo que os bancos centrais têm a capacidade de imprimir uma quantidade ilimitada de dinheiro.

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Outra possível razão para a recente disparada é a notícia de que o CEO da Tesla, Elon Musk, está decidido a vender 10% das suas participações na Tesla, após uma enquete feita no fim de semana no Twitter. Caso cumpra sua promessa, há certa especulação de que Musk possa reinvestir parte dos recursos em criptomoedas. Musk já havia afirmado que possui Bitcoin, Ethereum e Dogecoin.

Alerta do Fed

O recente Relatório de Estabilidade Financeira do Federal Reserve pouco fez para amortecer o apetite por criptoativos. O relatório, divulgado ontem, colheu opiniões de uma gama diversa de contatos sobre os riscos para a estabilidade financeira, incluindo profissionais de corretagem, fundos de investimento, empresas de consultoria política e universidades.

As criptomoedas e as chamadas stable coins foram o quinto choque em potencial mais citado para a estabilidade financeira durante os próximos 12-18 meses, após inflação contínua e aperto monetário, variantes resistentes a vacinas, riscos regulatórios e imobiliários da China e tensões entre os EUA e a China.

No entanto, o próprio relatório não chega a sugerir que a indústria de criptoativos possa se tornar uma ameaça importante para a estabilidade financeira dos EUA, destacando que a perspectiva sobre os mercados cripto é "limitada".

Para onde vai o Bitcoin?

Mikkel Morch, diretor executivo do fundo de hedge de criptomoedas ARK36, afirmou que o Bitcoin a US$ 70.000 "parece iminente", de acordo com a CNBC.

Entretanto, Streeter é mais cautelosa e fez um alerta a alguns investidores.

"O banco central dos EUA, o Federal Reserve, iniciou [...] uma ligeira contenção do seu programa de compra de títulos, e pode muito bem fazer um aperto mais brusco nos próximos meses, possivelmente disparando uma mini sequência de vendas, semelhante à forma como os mercados financeiros reagiriam se a pílula do dinheiro barato fosse retirada rápido demais", afirmou Streeter. "As perturbações em curso na estratosfera criptográfica, dadas as rotações das moedas e dos token nos últimos meses, significam que investir em Bitcoin não é para os fracos ou para quem não têm dinheiro a perder".