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Mercado subestima reabertura, diz JPMorgan, que aposta em ações brasileiras

Em termos de setores, as especialistas destacam bancos, commodities e histórias estruturais de crescimento.

18/11/2021 06h57
Por: Leonardo Brum
Fonte: Mercado News
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O ruído da política fiscal brasileira tende a diminuir até o fim do ano, a economia global está melhorando, com a pressão na cadeia de abastecimento atingindo um pico, e o mercado está subestimando a reabertura com a Covid-19 sendo um risco muito menor, avalia a equipe de análise do JPMorgan, em relatório a favor do apetite ao risco na B3.

“Nós mantemos nosso call otimista sobre as ações brasileiras, que se baseia numa postura pró-risco em termos de alocação global de ativos e na visão de que muita coisa já está precificada (incluindo uma macro muito mais fraca e uma eleição feia). Achamos que estamos vendo o capítulo bem inicial de uma potencial valorização do mercado”, escrevem as estrategistas do banco focadas em Brasil e América Latina, Emy Shayo Cherman e Cinthya Mizuguchi.

Em termos de setores, as especialistas destacam bancos, commodities e histórias estruturais de crescimento. Simultaneamente, evitam exposição em empresas de segmentos cíclicos domésticos, ou seja, muito atrelados à atividade econômica, como varejistas, que provavelmente sentirão o impacto de taxas de juros elevadas e crescimento mais lento.

Bolsa barata

A dupla do JPMorgan aponta que o múltiplo de preço sobre lucros (P/E) do Ibovespa para os próximos 12 meses se situa em 7,4 vezes, o que está abaixo da média história de 11 vezes. Mesmo excluindo commodities e energia (tidas como ações baratas e com grande peso no índice), o “Brasil continua barato”, com o Ibovespa negociando em 11,8 vezes, também inferior à média de 12,2 vezes.

Importante salientar que há a expectativa de revisões de lucros por parte das empresas em meio à temporada de resultados do terceiro trimestre, que caminha para o fim. Até o momento, segundo o banco americano, 66% das empresas reportaram seus balanços, sendo que 52% superaram as projeções, enquanto 32% frustraram os analistas.

Além disso, em dólar, os ativos brasileiros se encontram baratos levando em conta o câmbio, que deve fechar 2021 em R$ 5,40 e ficar em R$ 5,50 ao fim de 2022. Assim, os investidores estrangeiros já injetaram a cifra líquida de R$ 57 bilhões na B3 desde o início do ano até agora. Só em novembro já são R$ 2,4 bilhões após R$ 12,3 bilhões em outubro.

Eleições

O time do JPMorgan entende que o cenário de polarização de Bolsonaro versus Lula na eleição presidencial de 2022 já está incorporado nos preços das ações. Isso quer dizer que o surgimento de uma terceira via está completamente descontado, na visão das estrategistas. Elas citam as primárias do PSDB previstas para 21 de novembro como um evento para ficar de olho.

Por Mercado News