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Vários membros do Fed veem possível necessidade de redução mais acelerada de estímulos e alta antecipada nos juros

Os membros do Fed decidiram por unanimidade naquela reunião começar a reduzir os 120 bilhões de dólares em compras mensais pelo banco central de títulos do Tesouro e de títulos lastreados em hipotecas, um programa introduzido no início de 2020 para ajudar a sustentar a economia durante a pandemia de Covid-19.

25/11/2021 06h39
Por: Leonardo Brum
Fonte: Reuters
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© Reuters. Prédio do Federal Reserve, banco central dos EUA, em Washington 22/08/2018 REUTERS/Chris Wattie
© Reuters. Prédio do Federal Reserve, banco central dos EUA, em Washington 22/08/2018 REUTERS/Chris Wattie

 

Vários formuladores de política monetária do banco central norte-americano disseram que estariam abertos a acelerar a conclusão de seu programa de compra de títulos se a inflação alta se mantivesse e também a agir mais rapidamente para aumentar as taxas de juros, mostrou a ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed).

"Vários participantes observaram que o Comitê deve estar preparado para ajustar o ritmo de compras de ativos e aumentar o intervalo da meta para a taxa de juros mais cedo do que os participantes atualmente antecipam se a inflação continuar a rodar acima dos níveis consistentes com os objetivos do Comitê", disse o Fed na ata da reunião de política monetária ocorrida em 2 e 3 de novembro.

Os membros do Fed decidiram por unanimidade naquela reunião começar a reduzir os 120 bilhões de dólares em compras mensais pelo banco central de títulos do Tesouro e de títulos lastreados em hipotecas, um programa introduzido no início de 2020 para ajudar a sustentar a economia durante a pandemia de Covid-19.

No ritmo original, as compras de ativos seriam reduzidas completamente até o próximo mês de junho. Porém, há apelos crescentes por parte de alguns formuladores de política monetária para acelerar esse cronograma, por causa das elevadas leituras de inflação e de geração mais forte de empregos desde a reunião. Eles defendem que isso daria ao Fed maior flexibilidade para aumentar sua taxa de juros de referência ante o nível atual, próximo a zero, no início ano que vem, se necessário.

Todos os sinais apontam que a aceleração da redução das compras de títulos agora é algo a ser debatido na próxima reunião do Fed, em 14 e 15 de dezembro.

Dados econômicos divulgados nesta quarta-feira mostraram que o número de norte-americanos que entraram com novos pedidos de seguro-desemprego caiu na semana passada para o nível mais baixo desde 1969, enquanto a medida preferencial do Fed para inflação continuou em outubro a rodar em patamar mais de duas vezes acima da meta de média flexível de 2% do banco central.

A presidente do Fed de San Francisco, Mary Daly, uma das mais cautelosas autoridades da instituição, também disse nesta quarta-feira estar aberta a uma redução mais rápida do programa de compra de títulos se os dados de empregos e inflação permanecerem estáveis ​​e que ela enxergaria o comitê de política monetária do Fed (Fomc, na sigla em inglês) aumentando as taxas de juros uma ou duas vezes no próximo ano.

A inflação em outubro aumentou em seu ritmo anual mais rápido em 31 anos, o que testou a suposição de trabalho do Fed para a maior parte do ano de que o surto inflacionário induzido pela pandemia seria temporário, já que os gargalos de oferta diminuíram e a demanda passou de bens para serviços.

Algumas outras autoridades disseram recentemente que também estão mais confortáveis agora ​​com um aumento da taxa de juros mais cedo no ano que vem do que o previsto anteriormente, observando que o ritmo atual de abertura de postos de trabalho colocaria o Fed no caminho de ficar perto ou cumprir sua meta de pleno emprego até meados de 2022.