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Inovação

Como o metaverso pode impactar a forma que trabalhamos

A tecnologia cria ambientes de trabalho virtuais, que podem ser utilizados por colaboradores para realizar reuniões, treinamentos e simular projetos. Mas, segundo especialistas, há ressalvas para a sua adoção.

25/11/2021 06h49
Por: Leonardo Brum
Fonte: Forbes
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Em plataformas do tipo, colaboradores podem visitar um “escritório virtual” de qualquer lugar do mundo, otimizando sua rotina de trabalho.
Em plataformas do tipo, colaboradores podem visitar um “escritório virtual” de qualquer lugar do mundo, otimizando sua rotina de trabalho.

 

A união entre o melhor do trabalho híbrido e as vantagens do home office pode estar no metaverso. Assim como promete mudar a comunicação nas redes ou a maneira como compramos algo, esse “ambiente artificial” também pode trazer uma nova experiência de trabalho, revendo as relações e reduzindo a fadiga digital, por exemplo. No Workrooms, plataforma desenvolvida pelo Meta (o antigo Facebook), em fase de testes desde setembro de 2021, funcionários vestem um óculos de realidade virtual e se veem transportados para uma sala de conferências também virtual. Cada pessoa é representada por um avatar e pode interagir com computadores, projetores e uns com os outros. Ainda em fase de desenvolvimento, a tecnologia permite que profissionais interajam em um ambiente completamente virtual. A tendência está atraindo investimentos de gigantes do setor de tecnologia, como o Facebook, Microsoft e NVIDIA

Uma das questões que o metaverso corporativo pretende lidar é o sentimento de solidão que afeta a produtividade e a saúde mental de profissionais que passam muito tempo isolados. De acordo com um relatório divulgado pela empresa de gerenciamento de mídias sociais Buffer, feito com 2,3 mil profissionais de 5 países diferentes, 16% elencaram a falta de contato com outras pessoas como seu grande desafio — colocando o tópico em segundo lugar da lista, junto com a dificuldade no trabalho colaborativo. ‘No metaverso, você se sente como se estivesse ao lado de alguém, tendo experiências visuais e sensoriais durante esse processo”, diz Wagner Salles, professor em Gestão de Recursos Humanos da Universidade Veiga de Almeida. O design organizacional também pode sofrer mudanças. Com o metaverso, modelos de trabalho mais verticalizados, com menos hierarquias e mais colaboração, ganham força. “Entendo que o mercado de hoje já está nesse caminho. Mas o metaverso tende a aprofundá-lo ainda mais.” 

O metaverso e as transformações no mercado

A entrevista de emprego vai ser outro momento que pode mudar com o uso de realidade virtual nas companhias. A nova tecnologia vai permitir que entrevistas, provas e dinâmicas em grupo aconteçam no metaverso. Sem dizer que, sem a necessidade de deslocamento, quem presta serviços ou precisa se deslocar durante o dia, ganha tempo. “O metaverso pode favorecer o profissional no regime de trabalho intermitente, que pode estar em uma empresa de manhã e em outra à tarde”, diz Salles. 

A mudança exigiria adaptações de empresas e funcionários. Interagir virtualmente em tal nível de imersão vai demandar uma série de novas condutas e dinâmicas sociais. “As discussões sobre comportamento nas redes sociais podem ser transferidas para o metaverso. O que seria uma fake news no metaverso?”, diz Salles. Dentro desse pacote de boas práticas também entram normas de etiqueta, padrões de socialização e até mesmo a forma como cada profissional criaria seu avatar. Não existem, ainda, definições sobre o responsável por regulamentar e fiscalizar esses ambientes, especialmente para o caso de trabalhadores a serviço de empresas estrangeiras, ou sobre quem vai lidar com questões como assédio moral e sexual, assim como a definição de privacidade e saúde do trabalho. “Ainda não temos no Brasil uma regulamentação clara para o trabalho remoto, que dirá para o metaverso.”